- Em Sarasota Bay, na Flórida, e em Barataria Bay, Louisiana, um grupo de golfinhos bottlenose foi submetido a avaliações de saúde, com 11 animais exalando fibras de microplásticos durante os exames.
- O estudo faz parte do Programa de Pesquisa de Golfinhos de Sarasota, realizado desde 1970, que acompanha populações, indivíduos e problemas de saúde relacionados à poluição marinha.
- As fibras exaladas lembravam as de roupas sintéticas, mostrando que os golfinhos, assim como as pessoas, estão respirando plástico e podem ter impactos respiratórios.
- Globalmente, a produção de plásticos ultrapassa quinhentos milhões de toneladas por ano, e apenas cerca de 9% é reciclada; o restante vai para aterros, incineração ou meio ambiente.
- O debate internacional sobre um tratado global de plásticos segue em negociações, com a quinta rodada de talks marcada para Busan, visando fechar language do acordo para ratificação.
O estudo de saúde de golfinhos realizado pela Sarasota Dolphin Research Program, em Florida, revelou que 11 animais de golfinho-nariz-de-garrafa respiraram fibras de microplásticos durante avaliações em Sarasota Bay e Barataria Bay, Louisiana. Os pesquisadores coletaram amostras de pele, sangue e o ar exalado para análise.
Profissionais veterinários, biólogos e assistentes realizaram exames rápidos e precisos, observando sinais vitais e registrando a presença de microplásticos nas vias respiratórias ao exalar. O procedimento envolveu segurar uma placa de Petri sobre o orifício nasal até o golfinho exalar com força controlada. Os comportamentos dos animais mostraram que a prática ocorreu sem ferimentos.
O estudo, que já acompanha a saúde de golfinhos por gerações desde 1970, busca entender impactos de poluentes no ambiente marinho. A pesquisadora Leslie B. Hart, da College of Charleston, aponta que as fibras observadas se assemelham às encontradas em pulmões humanos, indicando que golfinhos, assim como pessoas, inalam plástico.
Plásticos afetam a saúde da vida selvagem
A pesquisa indica que os microplásticos também podem estar presentes no líquido sanguíneo de outras espécies marinhas, com efeitos ainda incertos sobre hormônios e órgãos. Estudos anteriores associaram ftalatos a alterações hormonais em golfinhos, o que pode afetar múltiplos processos biológicos.
Além dos impactos diretos, a poluição por plásticos contribui para mudanças globais, agravando mudanças climáticas, acidificação oceânica e perda de biodiversidade. A produção mundial de plástico permanece elevada, enquanto a taxa de reciclagem é baixa, elevando a pressão sobre ecossistemas.
O texto aponta ainda que microplásticos podem agir como veículos de poluentes e bactérias, penetram tecidos e, em alguns casos, cruzam barreiras biológicas. Pesquisas adicionais buscam esclarecer efeitos de longo prazo, variando conforme tipo de plástico, tamanho e contexto ecológico.
Perspectivas e contexto internacional
Especialistas destacam a necessidade de ações rápidas em negociações de um tratado global sobre plástico, em curso há anos e com novas rodadas de negociação marcadas. Enquanto algumas nações resistem a restrições de produção, estudiosos alertam para impactos em saúde humana, fauna e sistemas terrestres.
O panorama mundial é marcado pela comparação entre produção de plásticos e as metas de redução, com debatedores argumentando que regulações devem recair sobre produtores e reguladores. A comunidade científica continua a reunir evidências de danos aos ecossistemas e à saúde humana, reforçando a urgência de políticas públicas eficazes.
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