- Pela primeira vez, há registro científico de acasalamento da raia-chita (*Aetobatus narinari*) em águas brasileiras, na zona de exclusão marinha do entorno do Parque Estadual da Ilha Anchieta, em São Paulo.
- O comportamento de cortejo e acasalamento foi documentado em estudo publicado na revista Ocean and Coastal Research, ampliando o conhecimento da espécie na costa brasileira.
- A pesquisa é liderada pela bióloga Thamíris Christina Karlovic de Abreu, com o oceanógrafo Lucas Citele Candido e a professora June Ferraz Dias, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.
- A descoberta pode fortalecer a demanda pela criação de uma Unidade de Conservação que integre área terrestre e marinha, para preservar ambientes essenciais à reprodução da raia-chita.
- O projeto Mergulhando na Conservação envolve ciência cidadã, com mergulhos guiados e participação de voluntários na coleta de dados sobre a espécie e o ecossistema ao redor da Ilha Anchieta.
Em águas brasileiras, pela primeira vez, pesquisadores registraram o acasalamento da raia-chita, Aetobatus narinari. O episódio ocorreu na zona de exclusão marinha ao redor do Parque Estadual da Ilha Anchieta, no litoral norte de São Paulo. O estudo foi publicado em uma revista científica especializada, com participação de pesquisadores brasileiros.
O registro documenta o cortejo e o acasalamento da espécie, antes considerado amplamente cosmopolita, mas com evidências recentes de predomínio no Atlântico. A equipe é chefiada pela bióloga Thamíris Christina Karlovic de Abreu, com o oceanógrafo Lucas Citele Candido e a professora June Ferraz Dias.
A raia-chita possui dorso azul-escuro com manchas brancas e uma cauda longa. Alimenta-se principalmente de crustáceos, enterrando parte do corpo na areia para capturar presas. O comportamento observado é raro e ganhou destaque pela presença de banhistas em um dos registros.
O projeto Mergulhando na Conservação, apoiado por voluntários, proporcionou as condições para o registro por meio de ciência cidadã. Participantes ajudam na coleta de dados durante mergulhos guiados, fortalecendo o monitoramento da espécie na região.
Importância das áreas protegidas
O Parque Estadual da Ilha Anchieta abriga uma zona de exclusão marinha que restringe a pesca na região. Pesquisadores destacam que proteger áreas de reprodução de espécies vulneráveis é fundamental para a saúde do ecossistema marinho local. A prática de reduzir atividades humanas contribui para a conservação da biodiversidade.
A expectativa é que os novos registros reforcem a demanda pela criação de uma Unidade de Conservação que integre área terrestre e marinha ao entorno da ilha. Estudos apontam que dados adicionais fortalecem evidências para medidas protetivas, incluindo maiores limites de proteção para habitats críticos.
No entendimento dos pesquisadores, quanto mais informações sobre este ambiente forem obtidas, mais embasadas ficam as ações de conservação. As pesquisadoras ressaltam que a participação da sociedade é essencial para ampliar o alcance das pesquisas sem perder rigor técnico.
Fotos: Cedidas pela pesquisadora. Contatos para informações adicionais são os da professora June Ferraz Dias e da pesquisadora Thamíris Christina Karlovic de Abreu.
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