- Fungos do gênero Batrachochytrium dendrobatidis foram detectados em anfíbios anuros no Ceará, em áreas de caatinga e floresta úmida.
- Em setenta e um por cento das espécies avaliadas houve resultado positivo, incluindo o registro pela primeira vez de infecção em onze espécies endêmicas.
- O primeiro exemplar com sintomas visíveis da doença foi encontrado na espécie Boana raniceps, na caatinga de Pacatuba.
- A disseminação do fungo pode ocorrer de forma silenciosa na região do semiárido, elevando o risco para a biodiversidade local.
- Especialistas associam a intensidade da transmissão a desmatamento, mudanças climáticas e fragmentação de habitats, defendendo monitoramento e medidas de prevenção.
Cientistas registraram pela primeira vez a presença disseminada do fungo Batrachochytrium dendrobatidis, causador da quitridiomicose, em anfíbios no Ceará. A detecção ocorreu em áreas de caatinga e floresta úmida, por meio de análises genéticas e testes PCR em campo.
O estudo envolveu pesquisadores que coletaram amostras de sapos, rãs e pererecas, com foco em anfíbios anuros. A equipe identificou o fungo em uma grande parcela de animais avaliados e registrou infecção inédita em 11 espécies endêmicas do estado.
A primeira autora Mirian dos Santos Mendes, da Universidade de Kaust, destacou que a prevalência foi superior ao esperado, inclusive em regiões mais secas. A pesquisa aponta que muitos indivíduos não apresentam sinais externos visíveis da infecção.
Prevalência e Implicações
Entre os animais, 71% das espécies analisadas testaram positivo para o fungo, com impactos potenciais na biodiversidade local. Espécies de florestas úmidas de altitude aparecem entre as mais afetadas, e a doença pode se alastrar silenciosamente pela região.
A pesquisa também evidencia a possibilidade de disseminação associada a mudanças climáticas e à perda de habitat. Secas prolongadas e aquecimento podem reduzir a imunidade dos anfíbios, elevando a vulnerabilidade ao patógeno.
Perspectivas e próximos passos
Pesquisas solicitam monitoramento contínuo e manejo de áreas afetadas. A equipe ressalta que, com o fungo presente no ambiente, as opções de tratamento são limitadas e a prevenção da disseminação é essencial para conservar as populações.
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