- Botânicos encontraram um lote de Intsia bijuga na floresta costeira úmida de Ngezi, em Pemba, Tanzânia, o que não é registrado em nenhuma outra parte da África.
- A área onde as árvores foram localizadas já está prevista para a primeira fase de um “eco-resort”, e maquinário de terraplenagem já está próximo à área.
- Em survey de dezembro, foram identificadas oitenta plantas nunca registradas em Pemba, incluindo uma pequena orquídea terrestre possivelmente nova para a ciência.
- Oikos Institute, organização sem fins lucrativos de Milão, realiza trabalhos de conservação em Ngezi desde setembro de 2024, com financiamento da União Europeia e de uma fundação privada.
- Especialistas destacam que a construção pode impactar um ecossistema único que abriga também a jiboia de Pemba e outras espécies, e defendem proteção integral e alternativas de desenvolvimento sustentável.
A equipe de botânicos revelou uma população de árvores raras em Zanzibar, Tanzania, não conhecida em Africa como nativas ocorrendo de modo selvagem. No norte da Reserva Florestal de Ngezi, em Pemba, foram encontradas Intsia bijuga em um bosque costeiro úmido. A área já abriga obras de construção para um suposto eco-resort.
Os pesquisadores Andrea Bianchi, Simone Orsenigo e Giacomo Baldesi, da Universidade de Pavia, realizaram levantamentos no início de dezembro. Em 80 plantas registradas pela primeira vez em Pemba, destacam-se espécies potencialmente novas para a ciência, incluindo uma pequena orquídea terrestre de branco puro.
A constatação ocorre em meio a preocupações com o avanço de obras de infraestrutura. Equipamentos de terraplenagem e caminhões- caçamba já estão na proximidade da floresta, cuja preservação é tema de debate entre conservacionistas e a comunidade local.
Ameaça e importância da área
A prática de construção de um comércio turístico na região levanta questões sobre impactos na biodiversidade. A área costeira de Ngezi abriga espécies importantes, inclusive o pássaro endêmico Otus pembaensis, e abriga经过 árvores centenárias de Intsia bijuga, com sementes que se dispersam pelo oceano.
A primeira etapa do projeto, descrita como cerca de uma cerca para o Mantuli Eco-Resort, foi sinalizada por um quadro informativo próximo às máquinas. Estimativas locais apontam que o empreendimento poderia impulsionar o turismo na ilha, que hoje recebe menos visitantes que Unguja.
Silvia Ceppi, assessora do projeto Oikos Institute, alerta que a área de floresta costeira onde foram encontradas as Intsia merece proteção integral. Segundo ela, qualquer plano turístico deve considerar a preservação do ecossistema e evitar danos à biodiversidade única da região.
Conservação, ações locais e perspectivas
A Oikos ampliou a presença na região desde setembro de 2024, com apoio da União Europeia e de uma fundação privada. Em resposta, quatro guardas florestais foram contratados para atuar ao lado de equipes já existentes das autoridades locais.
Khamis Ali Khamis, chefe interino da reserva, relata abordagem de apreensão de ferramentas de supostos madeireiros ilegais, resultando na retirada de machados, serras e facas. Apesar da tentativa de fuga dos suspeitos, parte do conjunto foi apreendida.
A região de Ngezi representa menos de 5% da antiga paisagem da ilha, e especialistas destacam seu papel como reserva de biodiversidade. Oikos afirma que o manejo adequado pode restaurar funções da floresta, beneficiando comunidades locais que dependem do ecossistema para subsistência e renda.
Para reduzir pressão sobre a área, a organização apoia a melhoria de cadeias de valor locais, incluindo produtores de algas marinhas, treinamento de jovens como guias de natureza e apoio à agropecuária com práticas simples de manejo.
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