- Fabiana Corsi Zuelli, pesquisadora da USP em Ribeirão Preto, realizou quatro investigações sobre inflamação, fatores biológicos e ambientais no desenvolvimento de psicoses.
- O estudo indica que uso diário ou na adolescência de maconha eleva o risco de psicose apenas em pessoas com perfil inflamatório de baixo grau.
- Maus-tratos na infância também se associaram a perfil inflamatório maior, com níveis superiores de NETs e IL-6, incluindo em modelo com ratos submetidos a estresse na adolescência.
- Em irmãos de pacientes em início de psicose, índices inflamatórios correlacionaram-se com dimensões transdiagnósticas da psicose; o planejamento visou entender mecanismos e possíveis caminhos de prevenção.
- Elevados níveis de IL-6 mostraram relação com sintomas depressivos na esquizofrenia inicial e com sintomas negativos na fase crônica, além de associação com menor volume cerebral; Zuelli recebeu o Usern Prize 2024 pela inovação.
Fabiana Corsi Zuelli, pesquisadora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP), coordena quatro estudos que ligam inflamação e fatores ambientais a psicoses. O projeto envolve uma tese de doutorado, quatro artigos e novas evidências sobre mecanismos biológicos e sociais do transtorno.
Sob orientação de Cristina Marta Dal Ben, a pesquisadora investiga como inflamação e ambiente ajudam a identificar vulnerabilidade biológica para psicoses, buscando estratégias de prevenção e tratamentos mais personalizados. O trabalho envolve pacientes, irmãos e controles.
Os resultados indicam que o uso diário de maconha eleva o risco de psicose apenas entre indivíduos com perfil inflamatório de baixo grau. A associação direta da cannabis com inflamação não foi observada. Dados são de pacientes em primeiro episódio psicótico.
Inflamação x psicose
O estudo 1, publicado na Psychological Medicine, analisou citocinas e padrões de consumo de maconha em pacientes com primeiro episódio psicótico (PEP) e controles. Cannabis modera a inflamação apenas em indivíduos com inflamação baixa.
Em estudo 2, na Translational Psychiatry, NETs e IL-6 mostraram relação com histórico de traumas na infância. Um grupo de pacientes, irmãos não afetados e controles foi avaliado. Maus-tratos correlacionaram-se a maior inflamação.
Em ratos, o estresse na adolescência elevou NETs, sugerindo mecanismo transgeracional. O estudo 3 avaliou mediadores inflamatórios no sangue de irmãos de PEP não afetados e controles, associando-os a dimensões transdiagnósticas da psicose.
No estudo 4, a relação entre IL-6, sintomas depressivos e cognitivos foi explorada. Dados mostraram que maior IL-6 associou-se a pior estado depressivo na esquizofrenia inicial e a sintomas negativos em estágios crônicos.
Consórcio internacional
Os trabalhos utilizam dados do projeto Stream, que estimou incidência de esquizofrenia na região de Ribeirão Preto. O Stream integrou o European Network of National Schizophrenia Networks Studying Environment Interactions, envolvendo 17 centros em 6 países, com conclusão em 2015.
Um achado europeu citando elevado uso de maconha de alta potência reforça a ideia de um continuum psicótico, apresentado por pesquisadores internacionais. A abordagem considera que manifestações psicóticas existem em espectro, com impactos variados na funcionalidade.
Pela relevância científica, Fabiana Zuelli foi reconhecida com o Usern Prize 2024 na categoria Ciências Médicas, por contribuições em mecanismos imunológicos nas psicoses. O prêmio celebra jovens pesquisadoras em início de carreira.
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