- Acervo da Pandemia da Universidade Federal de São Paulo reúne materiais que mostram condutas de agentes públicos e privados durante a Covid-19.
- O repositório digital, aberto ao público, envolve o trabalho do centro SoU_Ciência e de parceiros como Cepedisa, da USP.
- O objetivo é preservar memória e promover responsabilização, conectando-se à Linha do Tempo da Estratégia Federal de Disseminação da Covid-19 e à CPI da Covid-19 no Senado.
- O material traz relatos de desinformação, antipráticas anti‑científicas e reconhecimento do papel positivo das vacinas desenvolvidas por universidades e institutos brasileiros.
- Pesquisa do SoU_Ciência aponta que 52% da população apoiam a responsabilização de crimes relacionados às mortes durante a pandemia.
Em 12 de março o Acervo da Pandemia da Unifesp é apresentado como parte de uma iniciativa de universidades públicas para registrar e tornar memória os impactos da covid-19, incluindo crimes contra a saúde cometidos por agentes públicos e privados. O projeto reúne materiais que evidenciam condutas e discursos durante a pandemia.
O acervo é um repositório digital aberto ao público, voltado a outros atores além do vírus. Ele reúne documentos e relatos que ajudam a mapear desinformação, contradições entre evidências científicas e posicionamentos de autoridades durante o período crítico.
O lançamento ocorre cinco anos após a Organização Mundial da Saúde declarar a covid-19 como pandemia. A data é lembrada como marco para avaliação de responsabilidades e memória coletiva.
Acervo e parceiros
A iniciativa é organizada pelo Centro de Estudos SoU_Ciência, em parceria com o Cepedisa, da USP, e envolve pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de outras instituições. O material circula entre universidades públicas para ampliar o debate sobre responsabilidades.
Deisy Ventura, professora da FSP da USP, afirma que o acervo continua o trabalho de resgate da memória e da verdade iniciado com a Linha do Tempo da Estratégia Federal de Disseminação da Covid-19. O objetivo é contar o que realmente aconteceu durante a pandemia.
Soraya Smaili, antiga reitora da Unifesp, destaca que o acervo documenta falas e ações que negaram a pandemia, além de informações sobre uso de máscaras e medidas preventivas. Ela ressalta a importância de registrar a atuação de universidades durante o período.
A pesquisadora Elnara Negri, da FMUSP, participa de debates sobre desinformação e o papel de médicos na crise sanitária. Ela relata experiências de pressão e pressão institucional vivenciadas durante a pandemia, incluindo críticas à prática clínica e à conduta de autoridades.
A coordenação do SoU_Ciência aponta que muitos médicos tiveram posições que dificultaram a adoção de tratamentos eficazes na época, o que impactou pacientes. O acervo, segundo a instituição, visa promover entendimento e responsabilização embasada em evidências.
Contexto público e repercussões
O SoU_Ciência, que reúne pesquisadores de Unifesp, UFRJ, Fiocruz e outras instituições, realizou levantamentos de opinião pública em parceria com o Instituto Ideia. Um estudo de 2023 mostrou apoio da maioria da população à responsabilização por mortes associadas à pandemia.
Especialistas, como Pedro Arantes e Vanessa Sígolo, ressaltam que a percepção pública é dimensão decisiva para avançar ações de justiça e reparação. O acervo contribui para fundamentar debates e políticas públicas futuras.
O conjunto de materiais do acervo inclui relatos de autoridades, médicos e pesquisadores que teve impactos na condução de políticas de saúde. A iniciativa busca valorizar a memória institucional e apoiar futuras tomadas de decisão baseadas em evidências.
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