- A ivermectina não tem evidência comprovada de tratar câncer; pesquisas iniciais sugerem mecanismos em células, mas ainda não há ensaios clínicos robustos.
- Não há benefício comprovado contra a Covid em ensaios grandes; a droga é aprovada para parasitas e usada em loções e cremes para outras condições.
- Houve aumento de interesse e desinformação online sobre a droga, com legisladores em alguns estados dos EUA promovendo acesso sem receita médica.
- Médicos alertam para riscos de uso indevido, possíveis interações com outros tratamentos e toxicidade em doses altas, que podem ser graves.
- Pesquisadores ressaltam que, embora haja estudo sobre uso da ivermectina com imunoterapia em câncer, é necessário mais pesquisas e não há confirmação de eficácia em humanos.
A ivermectina voltou a ganhar atenção pública cinco anos após o início da pandemia. Cientistas destacam que não há evidência robusta de eficácia contra o câncer e que estudos sobre uso no tratamento de Covid são inconclusivos. O tema aparece com frequência em consultas a especialistas.
Pacientes costumam perguntar sobre o medicamento antiparasitário, inclusive em contexto de câncer, e isso aumenta a demanda por informações confiáveis. Pesquisadores alertam para o risco de desinformação e cobranças por tratamento sem base científica.
A discussão ganhou força após episódios de divulgação viral e ações políticas que facilitam o acesso ao medicamento em alguns estados dos EUA. A situação alimenta dúvidas sobre riscos, benefícios e uso adequado.
O que a ivermectina pode e não pode fazer
Especialistas reconhecem a eficácia da ivermectina no combate a parasitas, uso autorizado pela FDA para infecções específicas. O medicamento também é aplicado em loções para piolhos e em cremes para rosácea. Em animais, é comum no manejo veterinário.
Grandes ensaios clínicos indicam que a ivermectina não reduz tempo de recuperação ou hospitalizações em Covid. A pesquisa atual não sustenta uso como tratamento oncológico. Pesquisadores ressaltam que ainda não há estudos suficientes em humanos com câncer.
Estudos em células sugerem efeitos em certos tipos de câncer, mas resultados em animais não garantem benefício humano. Uma possibilidade estudada é a combinação com imunoterapia, ainda sem comprovação suficiente. Pesquisadores pedem mais ensaios.
A comunidade científica lembra que a promessa não se traduz em confirmação clínica. Mesmo com sinais promissores, a maior parte dos compostos pré-clínicos não avança para uso humano. A definição de eficácia exige testes randomizados e replicáveis.
Riscos e preocupações
Profissionais enfatizam que, se não há benefício comprovado, o uso indevido apresenta riscos. A ivermectina pode interferir na metabolização de outros medicamentos, inclusive anticoagulantes, segundo especialistas. O uso sem supervisão médica é desencorajado.
Em doses elevadas, há risco de efeitos no sistema nervoso central, como visão turva, confusão e convulsões. A FDA ressalta que altas quantidades podem levar a condições graves, incluindo coma ou morte em cenários extremos.
Pesquisadores destacam ainda a incerteza sobre efeitos de uso prolongado ou rotineiro. A possibilidade de substituição de tratamentos comprovados por ivermectina preocupa médicos, que defendem monitoramento profissional e orientação clínica adequada.
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