- Aproximadamente 2% das espécies de anfíbios já enfrentam calor excessivo em seus habitats naturais, segundo estudo recente.
- Se o aquecimento global continuar, esse percentual pode subir para 7,5% no fim deste século.
- Os dados usados contemplaram 524 espécies com medições diretas de tolerância ao calor, extrapoladas para mais de 5 mil espécies.
- Regiões mais vulneráveis incluem sul dos Estados Unidos, norte da Austrália e a Amazônia; espécies terrestres têm maior risco que as aquáticas.
- Os pesquisadores destacam que a proteção de água e sombra é crucial para a sobrevivência de anfíbios durante ondas de calor extremas.
O aquecimento global já é extremo demais para 2% das espécies de anfíbios, aponta estudo publicado na revista Nature. A pesquisa avaliou dados de 524 espécies com tolerância ao calor e estendeu estimativas para mais de 5.000 espécies, representando cerca de 60% de toda a diversidade de anfíbios.
Segundo o estudo, roughly 104 das 5.203 espécies analisadas enfrentam hoje episódios de superaquecimento em seus habitats naturais, quando as temperaturas ambientais excedem seus limites fisiológicos. O trabalho é liderado por pesquisadores da University of New South Wales, na Austrália, com participação de especialistas de outras instituições.
A pesquisa usa dados de tolerância ao calor em campo para mapear onde os anfíbios estão mais vulneráveis. Os autores ressaltam que os testes diretos não costumam ser letais, mas indicam queda na coordenação neuromuscular à medida que o calor persiste.
Quem está envolvido
A equipe é liderada por cientistas da University of New South Wales, com apoio metodológico de universidades parceiras. Um dos coautores, o ecologista Alex Gunderson, comenta que anfíbios são cruciais na teia alimentar e atuam como controladores de doenças ao consumir mosquitos.
Pesquisadores destacam a importância ecológica dos anfíbios: eles servem de alimento para várias espécies e ajudam a reduzir transmisso de doenças que afetam a saúde humana, como a malária em algumas regiões.
Resultados-chave e padrões
A análise aponta hotspots de superaquecimento na região sudeste dos Estados Unidos, no norte da Austrália e na Amazônia. O estudo também encontra que amphibianos com maior vida útil em ambientes aquáticos correm menos riscos, enquanto espécies terrestres apresentam maior vulnerabilidade.
Observa-se ainda um padrão inesperado: na Hemisfério Sul, espécies próximas ao equador tendem a ser mais vulneráveis, enquanto no Hemisfério Norte ocorre o contrário, com maior sensibilidade em latitudes mais altas. A equipe ainda não tem explicação definitiva para esse contraste.
Perspectivas de aquecimento futuro
O estudo sinaliza que, entre 2° e 4°C de aquecimento global, muitos mais anfíbios devem enfrentar limites térmicos. À medida que a temperatura média se aproximar desses umbral, há um aumento considerável de dias com temperaturas acima dos limites fisiológicos.
Os pesquisadores ressaltam que as estimativas são conservadoras, pois consideraram disponibilidade de sombra para os animais. Com menos sombra, os impactos podem ser ainda maiores. O coautor Patrice Pottier ressalta essa limitação metodológica.
Implicações para conservação
Especialistas ouvidos pela pesquisa destacam utilidade dos resultados para orientar ações de conservação, inclusive na identificação de espécies com maior risco, inclusive aquelas ainda não estudadas amplamente. A prioridade é proteger habitats que proporcionem água e sombra adequadas.
Os autores sugerem medidas de manejo, como conservação de vegetação densa e recuperação de corpos d’água, para ajudar anfíbios a regular a temperatura corporal durante episódios de calor extremo.
Observações finais e contexto
O estudo cita que o mundo já enfrenta, segundo relatórios internacionais, trajetórias de warming de cerca de 4°C até 2100 sem reduções significativas de emissões de combustíveis fósseis. A pesquisa reforça que a proteção de habitats é fundamental para a sobrevivência de várias espécies de anfíbios frente ao aquecimento global.
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