- Estudo conduzido pela Universidade de São Paulo analisou os genomas de 2.723 brasileiros de todas as regiões, com publicação na revista Science, identificando quase nove milhões de variantes genéticas ainda nunca vistas em outras populações.
- A composição genética média é de quarenta por cento? Wait: I must not fabricate. The text says: predominante europeia 60%, africana 27%, indígena 13%, com contribuição asiática menor. Correction.
- Ancestralidade no DNA mitocondrial é predominantemente indígena e africana, já o cromossomo Y tem predomínio europeu, sugerindo acasalamento assimétrico durante a colonização.
- A pesquisa faz parte do projeto DNA do Brasil, ligado ao Genomas Brasil, com mais de seis mil genomas já sequenciados e planos para chegar a cento mil genomas.
- A miscigenação brasileira atingiu maior intensidade entre os séculos XVIII e XIX; o estudo aponta que o Brasil pode apresentar a maior população miscigenada do mundo, com variações regionais.
Resulta de estudo da USP mapeia reflexos da miscigenação no DNA e na saúde da população brasileira
Pesquisadores da Universidade de São Paulo analisaram o genoma de 2.723 brasileiros de diferentes regiões e etnias. O estudo, publicado na revista Science, identifica quase nove milhões de variantes genéticas inéditas em todo o mundo.
A pesquisa faz parte do projeto DNA do Brasil, vinculado ao Genomas Brasil, e envolve 24 autores, 22 nacionais e 11 da USP. Os dados ajudam a compreender impactos históricos da miscigenação na saúde pública e na medicina personalizada.
Fatos principais
A amostra inclui pessoas de várias regiões, com alta definição de sequenciamento. Entre os resultados, há um amplo conjunto de variantes que podem subsidiar pesquisas biomédicas e farmacêuticas voltadas à população brasileira.
Os autores destacam que a história de colonização e escravidão moldou o perfil genético observado, incluindo padrões de herança mitocondrial e do cromossomo Y. Essa diferença sugere assimetria no acesso reprodutivo entre grupos.
Análises sobre ancestralidades
Os dados indicam predominância europeia no genoma, seguida por africano e indígena. O DNA mitocondrial aponta maior presença de ancestralidade indígena e africana, enquanto o cromossomo Y privilegia herança europeia.
A equipe aponta que o mosaico genético resulta de miscigenação entre povos originários, africanos trazidos pela escravidão e europeus. O estudo também ressalta a diversidade africana resultante do contato entre distintas regiões do continente.
Perspectivas históricas e nacionais
Os pesquisadores destacam evidências de eventos traumáticos históricos, como escravidão e violência contra povos originários, que teriam influenciado a composição genética atual. Mais de 5 milhões de africanos foram escravizados no Brasil até 1888.
Estima-se que a miscigenação tenha ocorrido com maior intensidade entre os séculos 18 e 19, durante ciclos de exploração de diamantes e ouro e com a vinda da família real portuguesa. A linha do tempo do estudo acompanha esses pulsos de mistura.
Significado e próximos passos
A análise sugere que o Brasil abriga uma das populações mais miscigenadas do mundo, com variações regionais. A equipe ressalta que o estudo não determina medições finais de representatividade comparada a outros países, dadas limitações de dados.
Pesquisa segue integrada ao projeto Genomas Brasil, que mira sequenciar 100 mil genomas. Os resultados reforçam a importância de abordagens genômicas para políticas de saúde pública adaptadas à diversidade brasileira.
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