- Um estudo recente revelou que o Brasil possui entre 7.343 e 9.595 espécies de plantas com flores ainda não descritas.
- A pesquisa, publicada na revista Plos One, foi realizada por botânicas, incluindo Janaína Gomes-da-Silva.
- O estudo indica que 80% das áreas ricas em novas espécies não estão protegidas, com cerca de 50% dessas áreas localizadas em terras indígenas.
- A pesquisa analisou dados de 32.900 espécies nativas ao longo de 267 anos, abrangendo os seis domínios fitogeográficos do Brasil.
- A maioria das plantas descritas desde 2020 é considerada ameaçada de extinção, e a conservação se concentra em animais, deixando as plantas em segundo plano.
Um estudo recente revelou que o Brasil abriga entre 7.343 e 9.595 espécies de plantas com flores ainda não descritas. A pesquisa, publicada na revista *Plos One*, foi realizada por botânicas, incluindo a doutora Janaína Gomes-da-Silva. O estudo destaca que 80% das áreas ricas em novas espécies não estão protegidas, embora cerca de 50% dessas áreas estejam em terras indígenas.
A pesquisa utilizou dados de 32.900 espécies nativas coletados ao longo de 267 anos, abrangendo os seis domínios fitogeográficos do Brasil: Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pampa e Pantanal. As autoras identificaram que o catálogo brasileiro está incompleto em 19% a 23%, com a Amazônia e a Caatinga apresentando o maior potencial para novas descobertas.
Desafios da Conservação
A falta de proteção nas áreas com alta biodiversidade é alarmante. A Caatinga, por exemplo, representa apenas 1,3% das áreas protegidas no Brasil, em contraste com 28% da Amazônia. Gomes-da-Silva enfatiza que a ausência de nomes científicos torna as espécies quase invisíveis para a ciência, dificultando esforços de conservação.
Além disso, a pesquisa aponta que a maioria das plantas descritas desde 2020 pode ser classificada como ameaçada de extinção. A bióloga Eimear Nic Lughadha, coautora do estudo, destaca a “cegueira das plantas”, onde a conservação se concentra em animais considerados carismáticos, enquanto as plantas recebem menos atenção.
Oportunidades para o Futuro
As autoras esperam que o estudo sirva como um guia para direcionar esforços de pesquisa e conservação. Conhecer e descrever essas novas espécies pode beneficiar indústrias como a farmacêutica e a cosmética. A pesquisa não apenas revela a riqueza da biodiversidade brasileira, mas também a necessidade urgente de políticas que integrem o conhecimento indígena na conservação ambiental.
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