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História de sucesso no hotspot de leopardos da Zâmbia, entrevista com Chisomo M’hango

População de leopardos na região Musekese-Lumbeya cresce com proteção reforçada, enquanto cães selvagens e leões mostram sinais de recuperação

Chisomo M’hango conducting fieldwork in the Musekese Lumbeya section of Kafue National Park. Image courtesy of Musekese Conservation.
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  • Em Musekese-Lumbeya, no Parque Nacional de Kafue, Zambia, foram identificados 95 leopardos pela câmera em 2024, indicando alta densidade na área.
  • A concentração ocorre próximo ao rio, com habitat adequado e presas abundantes, cenário impulsionado pela maior proteção e fiscalização.
  • O projeto, iniciado em 2022, combina armadilhas fotográficas, monitoramento de indivíduos e ciência cidadã, em parceria com Panthera e lodges locais.
  • Além de leopardos, a pesquisa acompanha cães selvagens africanos, hienas, leões e chitas, com as cães selvagens formando três matilhas distintas a partir de um casal inicial.
  • Uma das matilhas trouxe a alfa fêmea grávida, com provável desmame entre junho e julho; ainda há desafios como armadilhas ilegais e caça, que impactam as espécies.

Chisomo M’hango, ecologista em treinamento, trabalha na Musekese Conservation (MC), instituição sem fins lucrativos com estação de pesquisa no trecho Musekese-Lumbeya, no Parque Nacional Kafue, em Zambia. O foco é monitorar felinos, carnívoros e a recuperação de espécies ameaçadas.

A equipe já registrou 95 leopardos apenas com dados de 2024, em áreas com alta densidade e presença de turismo, próximo aos rios. Esse desempenho é comparável a hotspots conhecidos na África do Sul, segundo M’hango.

O estudo utiliza armadilhas fotográficas, monitoramento de indivíduos e ciência cidadã, em parceria com Panthera e lodges de safari. Dados são coletados mensalmente por surveys desenvolvidos com apoio de comunidades.

A pesquisadora explica que as armadilhas são posicionadas a 2-3 km uma da outra, visando capturar diferentes indivíduos. As fotos permitem identificar leopardos por padrões de bigodes e rosetas.

Segundo ela, a densidade de leões no local fica perto de 2 animais por 100 km2, bem abaixo de ecossistemas similares, que variam entre 5 e 6. A falta de presas por caça ilegal mantém os números mais baixos, mas há sinais de aumento.

M’hango destaca que a proteção de recursos, somada a parcerias com organizações locais, contribui para a recuperação de felinos, cães selvagens africanos e lobos. O monitoramento de cães selvagens já aponta a formação de novas matilhas.

Um episódio marcante foi o surgimento de uma nova matilha de cães selvagens, originada de um casal inicial. A alpha feminina está grávida, com expectativa de den para junho ou julho, aumentando a esperança de reprodução.

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