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Aumento preocupante no comércio de macacos-narigudos na Indonésia

Caso indica aumento do comércio ilegal de macacos-probóscis na Indonésia, com venda online e impactos para a conservação

Proboscis monkeys are endemic to Borneo. They are a protected species, and it is illegal to keep, buy or sell them or their parts.
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  • Estudo aponta aumento preocupante do comércio ilegal de macacos-de-nariz-de-sabre na Indonésia entre 1999 e 2024, com cerca de cem indivíduos envolvidos.
  • Quase metade dos casos listados em redes sociais, como Facebook e Instagram, e aumento de aquisições por zoológicos da Indonésia desde 2016.
  • Macacos são protegidos em Malásia, Brunei e Indonésia; listados no Apêndice I da Convenção Internacional sobre Comércio de Espécimes da Vida Selvagem (CITES), proibindo comércio internacional.
  • A pesquisa registra 25 relatos de comércio na mídia, com 52 indivíduos envolvidos, além de 11 condenações entre 2010 e 2025, totalizando 14 pessoas punidas.
  • Comércio online cresce, com anúncios de venda de macacos-de-nariz-de-sabre em Sumatra, Kalimantan e Java, e casos de exportação para zoológicos na China e no Japão; autoridades são instadas a intensificar fiscalização.

O estudo, publicado na revista Discover Animals, aponta um aumento preocupante no comércio internacional de probóscos macacos, espécie endêmica de Bornéu, inclusive em plataformas online e em zoológicos da Indonésia. Dados coletados entre 1999 e 2024 revelam cerca de cem indivíduos envolvidos em comércio ilegal, todos de origem indonésia.

Os pesquisadores rastrearam notícias, anúncios em redes sociais e registros da CITES. Observam aumento acentuado na última década, com quase metade dos casos envolvendo animais anunciados em Facebook e Instagram. Também há indícios de captura direta para zoológicos desde 2016.

Ocorrência e contexto

O estudo identifica 25 relatos de mídia ligando os probóscos a operações de tráfico, totalizando 52 animais, predominantemente em Kalimantan, Java e Sulawesi. Entre 2010 e 2025, 11 condenações no judiciário indonês envolveram 14 pessoas. A maioria dos casos envolve tráfico de outras espécies protegidas.

Indonésia, Malaysia e Brunei protegem legalmente os probóscos, cuja venda internacional é proibida pela CITES no Anexo I. A pesquisa aponta que parte do comércio ocorre entre zoos, com importações para Japão e China nos últimos 25 anos, e que a maioria das transações identifica os animais como nascidos em cativeiro ou capturados na natureza.

Comércio online e pressões para o bem-estar

A venda online ganhou relevância, com pelo menos 48 animais apresentados em Sumatra, Kalimantan e Java ao longo do período estudado. Em 2019 e 2020, anúncios surgiram no Instagram de um traficante em Bandung; em 2024 e 2025, anúncios em grupos do Facebook em Jacarta. Políticas das plataformas e leis locais são citadas como medidas necessárias.

Coautor do estudo, Vincent Nijman, ressalta que a prática é vinculada a redes comerciais que movimentam diversos tipos de fauna protegida. A alta rotatividade dos animais no comércio dificulta a manutenção em condições adequadas de cativeiro. A reiteração de prisões tem sido vista como avanço, mas penalties ainda são questionadas.

Desafios de conservação e habitat

Especialistas destacam que o probóscos é foquívoro, com dieta baseada em folhas, o que complica a criação em cativeiro. Além disso, a perda de habitat por expansão agrícola, incêndios florestais e infraestrutura agrava o risco de extinção. Aproximadamente 9% de seu habitat permanece sob proteção oficial.

A pesquisa também aponta que parte dos animais apreendidos pode ter destinos internacionais, como Vietnã e Filipinas, indicando fluxo contínuo do comércio. Estudos anteriores já haviam mostrado venda de crânios de probóscos para turismo, contrabando que permanece ilegal.

Zoo e padrões de manejo

Desde a década de 1990, o número de probóscos em zoológicos aumentou no Sudeste Asiático, com rankings mostrando pelo menos 74 indivíduos em 10 zoológicos da Indonésia. O aumento ocorre apesar das dificuldades de alimentação e do histórico de manejo inadequado em algumas instituições.

Autoridades e associações de zoos da região não responderam a perguntas sobre a origem dos animais e padrões de bem-estar. A pesquisa recomenda melhoria de dados em CITES e auditorias sobre movimentação entre países.

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