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Inteligência artificial transforma paradas musicais com novas sonoridades e polêmicas

The Velvet Sundown, banda criada por inteligência artificial, provoca debates sobre direitos autorais e a autenticidade na música contemporânea.

HITS ARTIFICIAIS - O robô no comando de uma mesa de som: a IA invadiu, enfim, a última fronteira da criação artística (Foto: Reprodução)
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  • O grupo The Velvet Sundown, criado com inteligência artificial, lançou a canção Dust on the Wind, que alcançou 1,6 milhão de reproduções no Spotify em um mês.
  • A banda, composta apenas por elementos sintéticos, lançou três álbuns em dois meses, desafiando a linha entre música real e virtual.
  • A superintendente-executiva do Ecad, Isabel Amorim, destacou a falta de leis para proteger os direitos autorais de músicos em relação ao uso de IA.
  • O fenômeno levanta preocupações sobre o futuro da indústria musical, com profissionais temendo a obsolescência de estúdios e habilidades humanas.
  • A Deezer começou a identificar músicas produzidas com IA, refletindo a necessidade de adaptação das plataformas de streaming a essa nova realidade.

O grupo The Velvet Sundown, criado com o auxílio de inteligência artificial, lançou a canção Dust on the Wind, que rapidamente conquistou 1,6 milhão de reproduções no Spotify em apenas um mês. O sucesso da faixa, que mistura folk rock suave com letras provocativas, gerou discussões sobre a autenticidade da música e os direitos autorais.

A banda, que não possui integrantes humanos, foi revelada como um projeto musical sintético, com composições e interpretações apoiadas por IA. A descrição no Spotify afirma que o grupo existe “em algum lugar entre humanos e máquinas”. Com três álbuns lançados em dois meses, o The Velvet Sundown desafia as fronteiras entre o real e o virtual, levantando questões sobre a produção musical e a remuneração dos artistas.

Impacto e Controvérsias

O uso de inteligência artificial na música não é uma novidade, mas a ascensão do The Velvet Sundown destaca a necessidade de discutir a proteção dos direitos autorais. Isabel Amorim, superintendente-executiva do Ecad, alerta que ainda não existem leis adequadas para proteger músicos do uso indevido de suas obras por softwares de IA. A entidade está se adaptando a essa nova realidade, exigindo que os artistas informem se utilizaram IA na produção de suas músicas.

Além disso, a crescente presença de bandas virtuais levanta preocupações sobre o futuro da indústria musical. Profissionais temem que estúdios de gravação e habilidades humanas se tornem obsoletos. Contudo, a tecnologia também oferece novas oportunidades para produtores independentes. Gerard Roma, engenheiro de som, ressalta que, por trás de projetos como o The Velvet Sundown, há sempre uma intervenção humana.

O Futuro da Música

O fenômeno do The Velvet Sundown não é isolado. Em 2023, a banda de k-pop Mave, composta por garotas virtuais, lançou um EP, mas não conseguiu se manter no mercado. A competição acirrada e a preferência por performances ao vivo ainda favorecem artistas humanos. Enquanto isso, o produtor Ghostwriter, que utiliza vozes de cantores famosos sem autorização, também levanta questões éticas sobre a originalidade na música.

As plataformas de streaming estão começando a se adaptar a essa nova realidade. A Deezer, por exemplo, introduziu um selo para identificar músicas produzidas com IA. O cenário musical está em transformação, e a transparência será essencial para garantir que as máquinas e os humanos possam coexistir de forma justa.

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