- A hemorragia posparto é uma das principais causas de morte materna, responsável por 27% das mortes em 2020.
- Apenas 29 tratamentos foram desenvolvidos para essa condição entre 2000 e 2023, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
- Inovações como oxitocina inhalada e sublingual estão em desenvolvimento, mas a indústria farmacêutica demonstra pouco interesse.
- A mortalidade materna caiu 40% nesse período, mas ainda é alarmante em países de baixa renda, com 346 mortes por 100.000 nascidos vivos.
- Investimentos em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para reduzir as mortes maternas evitáveis.
A mortalidade materna continua a ser um grave desafio global, com a hemorragia posparto como uma das principais causas de morte entre mulheres após o parto. Em 2020, essa condição foi responsável por 27% das mortes maternas, afetando entre 1% e 10% das mulheres que dão à luz. Apesar da eficácia da oxitocina, um medicamento essencial para o tratamento, seu impacto na redução da mortalidade em países de baixa e média renda não é satisfatório.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um novo plano estratégico, intitulado “A Roadmap to Combat Postpartum Haemorrhage 2023-2030”, que enfatiza a necessidade urgente de pesquisa sobre hemorragia posparto. Entre 2000 e 2023, apenas 29 tratamentos foram desenvolvidos para essa condição, em comparação com 155 para parto prematuro e 103 para preeclâmpsia. Essa discrepância evidencia a falta de prioridade dada à hemorragia posparto na pesquisa em saúde materna.
Desafios no Uso da Oxitocina
Embora a oxitocina seja acessível e amplamente disponível, seu uso enfrenta desafios significativos. A necessidade de uma cadeia de frio constante para manter sua eficácia e a dependência de profissionais qualificados para sua administração limitam seu uso em áreas com infraestrutura precária. Isso resulta em taxas de mortalidade materna muito mais altas em regiões com acesso limitado a cuidados de saúde.
Inovações como a oxitocina inhalada e sublingual estão em desenvolvimento, oferecendo alternativas que não exigem cadeia de frio e podem ser administradas sem a necessidade de um centro de saúde. No entanto, essas opções enfrentam a falta de interesse da indústria farmacêutica, que não vê um mercado relevante para esses tratamentos em países de alta renda.
Necessidade de Investimento em Pesquisa
A mortalidade materna, que caiu 40% entre 2000 e 2023, ainda apresenta números alarmantes, especialmente em países de baixa renda, onde a taxa é de 346 mortes por 100.000 nascidos vivos, em contraste com apenas 10 em países de alta renda. Essa desigualdade ressalta a necessidade de um enfoque mais robusto na pesquisa e desenvolvimento de soluções para a hemorragia posparto.
Investir em produtos direcionados a populações vulneráveis e garantir uma implementação eficaz são fundamentais para reduzir as mortes maternas evitáveis. Sem um investimento adequado, as soluções potenciais permanecerão fora do alcance de quem mais precisa, perpetuando a crise de saúde materna em diversas regiões do mundo.
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