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Justiça dos EUA pune startup de IA por pirataria, mas libera uso de livros

Decisão judicial americana permite uso de livros para treinar IA, mas abre caminho para ações coletivas de reparação financeira.

Foto ilustrativa mostra smartphone com logo da Anthropic na tela. O aparelho está sobre um teclado (Foto: Dado Ruvic/Reuters)
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  • Uma decisão da Justiça americana, em junho, permitiu o uso de livros para treinar sistemas de inteligência artificial, considerando-o um caso de uso justo.
  • A startup Anthropic foi acusada por três escritores de utilizar seus textos sem autorização, baixando cinco milhões de livros da plataforma Library Genesis e dois milhões da PiLiMi.
  • O juiz William Alsup inicialmente considerou a prática como pirataria, mas em 17 de outubro transformou o processo em ação coletiva, permitindo que outros autores busquem reparação financeira.
  • Após alertas jurídicos, a Anthropic mudou sua estratégia, optando por adquirir livros usados, digitalizá-los e destruir os físicos, mas os escritores contestam essa abordagem.
  • A decisão não se aplica ao Brasil, onde a legislação de direitos autorais não possui uma regra equivalente ao uso justo, e o tema está sendo discutido em projetos de lei.

Uma decisão da Justiça americana, proferida em junho, estabeleceu um novo precedente sobre o uso de obras literárias para treinar sistemas de inteligência artificial. A startup Anthropic foi acusada por três escritores de utilizar seus textos sem autorização para desenvolver o chatbot Claude. Os autores alegaram que a empresa baixou 5 milhões de livros da plataforma de pirataria Library Genesis e mais 2 milhões da PiLiMi, sem compensação financeira.

Em sua defesa, a Anthropic argumentou que o uso dos textos se enquadrava na doutrina do uso justo, que permite a utilização de obras protegidas em contextos como pesquisa e educação. O juiz William Alsup, da comarca do Norte da Califórnia, considerou que a prática da empresa se configurava como pirataria, devido ao acesso a cópias sem pagamento. No entanto, em 17 de outubro, o juiz transformou o processo em uma ação coletiva, permitindo que outros autores busquem reparação financeira.

Mudanças Estratégicas

Após alertas de seu departamento jurídico, a Anthropic alterou sua estratégia, optando por adquirir livros usados em vez de baixar cópias piratas. A empresa digitalizou essas obras e destruiu os exemplares físicos. Os escritores, no entanto, argumentam que essa mudança não se encaixa na doutrina do uso justo. O juiz Alsup, por sua vez, decidiu a favor da Anthropic, afirmando que a utilização dos textos foi transformadora e não envolveu a distribuição de cópias digitais.

O magistrado comparou o caso ao do aplicativo Napster, que foi condenado por multiplicar cópias digitais. No entanto, no caso do Claude, não houve tal multiplicação, segundo Alsup. A decisão da Justiça americana, embora provisória, abre um caminho para a utilização de obras literárias no desenvolvimento de IA, refletindo uma tendência crescente no Vale do Silício.

Implicações no Brasil

A coordenadora de pesquisa do Reglab, Marina Garrote, destacou que a decisão americana não se aplica diretamente ao Brasil, onde a legislação de direitos autorais não possui uma regra equivalente ao uso justo. No país, ainda não existem decisões específicas sobre o uso de obras para treinar IA, embora o tema esteja sendo discutido em projetos de lei, como o PL 2.338 de 2023, que visa criar um arcabouço regulatório para a tecnologia.

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