- O Gafanhoto de Guennol, um artefato possivelmente retirado ilegalmente por Howard Carter, será leiloado em Londres no dia 27 de julho.
- Avaliado em até £ 500 mil (aproximadamente $ 675 mil), o objeto já foi vendido anteriormente por $ 1,2 milhão.
- A casa de leilões Apollo Art Auctions afirma que não há documentação que comprove a origem do gafanhoto, embora especialistas considerem que suas características são compatíveis com o período de Tutancâmon.
- A venda levanta questões éticas sobre a comercialização de itens com procedência duvidosa, especialmente considerando que o Egito não fez uma reivindicação formal sobre o artefato.
- A especialista em crimes contra o patrimônio, Erin Thompson, questiona a moralidade de vender artefatos cuja história não pode ser comprovada.
Após a descoberta da tumba de Tutancâmon em 1922, o arqueólogo britânico Howard Carter catalogou diversos artefatos valiosos, mas também é acusado de ter retirado itens de forma ilegal. Agora, um desses objetos, o Gafanhoto de Guennol, será leiloado em Londres, levantando questões sobre sua origem e a ética da venda de itens com procedência duvidosa.
O Gafanhoto de Guennol, um recipiente esculpido em marfim e madeira, será leiloado pela Apollo Art Auctions neste domingo (27). Avaliado em até 500 mil libras (aproximadamente US$ 675 mil), o artefato já foi negociado anteriormente por US$ 1,2 milhão. A casa de leilões afirma que não há documentação que comprove que o objeto tenha vindo da tumba de Tutancâmon, embora especialistas em egiptologia, como Christian Loeben, do Museu August Kestner, considerem que suas características são compatíveis com o período do faraó.
Carter, ao retornar à Inglaterra, teria vendido o gafanhoto, mas sua ausência em inventários oficiais levanta suspeitas. Christina Riggs, professora da Universidade de Durham, destaca que Carter não listou itens que levou ilegalmente. A Apollo Art Auctions defende que a venda está em conformidade com as leis internacionais e que o Art Loss Register emitiu um certificado de que o objeto não é considerado perdido ou furtado.
Questões Éticas
A discussão sobre a propriedade do gafanhoto remonta ao início das escavações, quando a legislação egípcia permitia que arqueólogos ficassem com metade dos achados se a tumba já tivesse sido violada. No entanto, a avaliação de Carter foi contestada, e o governo egípcio decidiu manter todos os itens descobertos. Apesar de o Egito não ter feito uma reivindicação formal sobre o gafanhoto, sua ligação com a tumba é amplamente reconhecida.
A venda do Gafanhoto de Guennol por uma casa de leilões menor, em vez de grandes nomes como Christie’s ou Sotheby’s, também levanta questões sobre a ética na comercialização de antiguidades com origem questionável. Erin Thompson, especialista em crimes contra o patrimônio, questiona se devemos devolver apenas artefatos cuja história podemos comprovar ou agir com base no que é moralmente correto.
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