- Arquitetos e urbanistas imaginam o Rio de Janeiro em 2125 com foco em soluções sustentáveis e integração com a natureza.
- Washington Fajardo prevê a revitalização da Baía de Guanabara e a qualificação urbana da Rocinha, mantendo sua identidade.
- Fernando Pereira destaca a importância de incluir as favelas nas discussões urbanas, priorizando o acesso à moradia.
- Verena Andreatta antecipa a transferência do Porto do Rio, permitindo um novo projeto urbanístico na área entre Gamboa e Caju.
- Propostas visam transformar o Rio em uma metrópole onde urbanização e natureza coexistam de forma harmônica.
Na semana em que O GLOBO celebra seu centenário, arquitetos e urbanistas foram convidados a imaginar o Rio de Janeiro em 2125. As visões para o futuro da cidade priorizam soluções sustentáveis e a integração com a natureza, em contraste com clichês futuristas como carros voadores.
O arquiteto Washington Fajardo prevê que as praias cariocas podem desaparecer devido à elevação do nível do mar, mas vê uma oportunidade de revitalização da Baía de Guanabara, transformando-a em um espaço central com parques e novas formas de circulação. Ele imagina que a Rocinha, uma das maiores favelas do Rio, passará por um processo de qualificação urbana, mantendo sua identidade e incorporando edifícios ecológicos.
Fernando Pereira, do Instituto Arquitetos de Favela, destaca a importância de incluir as favelas nas discussões urbanas. Para ele, o acesso à moradia é fundamental para a dignidade e deve ser uma prioridade nas transformações urbanas. A presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio, Marcela Abla, enfatiza a necessidade de uma cidade policêntrica, onde deslocamentos sejam curtos e sustentáveis.
Desafios Climáticos e Urbanos
Verena Andreatta, ex-secretária de Urbanismo, antecipa que o Porto do Rio será transferido, permitindo um projeto de urbanização inovador na área entre Gamboa e Caju. Ela acredita que a Baía da Guanabara se tornará um espaço de lazer e recreação, totalmente despoluída. A arquiteta Carla Juaçaba propõe a remoção de barreiras que separam a cidade da natureza, permitindo que rios canalizados voltem a ser espaços de convivência.
O professor Lucas Rosse defende que a sustentabilidade urbana deve enfrentar a desigualdade e as mudanças climáticas. Ele sugere um investimento em transporte aquaviário e soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva. Jorge Mario Jáuregui, arquiteto com experiência em favelas, propõe revitalizações que integrem áreas urbanas e naturais, como a criação de um grande parque à beira-mar em Botafogo.
Um Futuro Integrado
Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, coordenador do Observatório das Metrópoles, alerta para a necessidade de restaurar a capacidade institucional para planejar o futuro da cidade. Ele destaca que o Rio deve se adaptar às tendências atuais, buscando um futuro mais inclusivo e sustentável. As propostas apresentadas refletem um desejo coletivo de transformar o Rio em uma metrópole onde a natureza e a urbanização coexistam de forma harmônica.
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