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Impacto emocional dos furacões gera ansiedade climática em Porto Rico

Estudo revela que 31% da população de Porto Rico enfrenta ansiedade por crises ambientais, refletindo traumas de furacões e inação governamental.

Um homem afetado pelo passo do huracán Fiona, em Porto Rico, no dia 18 de setembro de 2022. (Foto: Pedro Portal (TNS via Getty Images))
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  • Um estudo revelou que trinta e um por cento da população de Porto Rico sofre de ansiedade relacionada à crise ambiental.
  • Cinquenta e cinco por cento dos entrevistados relataram traumas de eventos climáticos, como os furacões Maria e Fiona.
  • A psicóloga Mariveliz Cabán destacou que a hipervigilância é comum entre pessoas que enfrentaram desastres naturais.
  • Organizações comunitárias, como o Taller Salud, oferecem suporte emocional e material para ajudar a população.
  • O Projeto Matria promove a recuperação comunitária, focando na equidade de gênero e na justiça climática.

Recentes estudos revelam que 31% da população de Porto Rico enfrenta ansiedade relacionada à crise ambiental, enquanto 55% relatam traumas de eventos climáticos, como os furacões Maria e Fiona. Esses dados, divulgados pela organização Amigxs do M.A.R., destacam o impacto psicológico das catástrofes naturais, exacerbado pela inação do governo.

Valerie Abreu, de 26 anos, compartilha sua experiência traumática durante o furacão Maria, quando ficou 48 horas sem luz e água. Para ela, o som do vento durante Fiona trouxe à tona memórias dolorosas, aumentando sua ansiedade. A psicóloga Mariveliz Cabán, da Associação de Psicologia de Porto Rico, explica que a hipervigilância é comum em pessoas que já enfrentaram desastres, intensificando sintomas de saúde mental.

Desafios Sociais e Estruturais

A saúde mental em Porto Rico está profundamente ligada a desigualdades sociais e à percepção de abandono governamental. Yesenia Delgado, presidente da APPR, enfatiza que a resiliência das comunidades não pode ser dissociada do acesso a recursos. A falta de apoio institucional gera um sentimento de desamparo, refletido nas experiências de Abreu e de muitos outros.

Organizações comunitárias, como o Taller Salud, têm buscado preencher essa lacuna, oferecendo suporte emocional e material. Com mais de quatro décadas de atuação, a organização desenvolve redes de apoio em diversas localidades, capacitando mulheres para atender às necessidades de suas comunidades.

Iniciativas e Respostas Comunitárias

Além de iniciativas de apoio, o Projeto Matria promove a recuperação comunitária, focando na equidade de gênero e na justiça climática. A Casa Solidária, um de seus projetos, visa reconstruir lares e fortalecer vínculos sociais, oferecendo um espaço de aprendizado e autogestão.

A pesquisa da Amigxs do M.A.R. é uma ferramenta crucial para documentar o impacto emocional das crises climáticas e fundamentar políticas públicas. Com a escassez de dados oficiais, a organização busca evidenciar as experiências coletivas e promover ações que atendam às necessidades locais.

A luta por reconhecimento e apoio continua, enquanto a população de Porto Rico enfrenta os desafios impostos pela mudança climática e pela falta de respostas adequadas. A resiliência e a solidariedade comunitária emergem como respostas essenciais em tempos de crise.

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