- A pesquisa sobre Alzheimer avança com a aprovação dos anticorpos monoclonais lecanemab e donanemab na Europa.
- Esses medicamentos podem retardar o declínio cognitivo em estágios iniciais da doença, mas sua eficácia e custo geram debates.
- A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorizou o lecanemab em abril e recomendou o donanemab em julho. A decisão final da Comissão Europeia deve ocorrer em breve.
- Com mais de 57 milhões de pessoas vivendo com demência, sendo até 70% desses casos de Alzheimer, a busca por tratamentos eficazes é urgente.
- Especialistas ressaltam a importância de uma abordagem integral no tratamento, incluindo apoio psicológico e um estilo de vida saudável.
A pesquisa sobre o Alzheimer está passando por um momento crucial, com a aprovação recente dos anticorpos monoclonais lecanemab e donanemab na Europa. Esses medicamentos demonstraram potencial para retardar o declínio cognitivo em estágios iniciais da doença, embora sua eficácia e custo ainda gerem debates acalorados.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorizou o lecanemab em abril e, após uma reavaliação, recomendou a aprovação do donanemab em julho. A decisão final da Comissão Europeia deve ocorrer nos próximos meses. Com mais de 57 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo, sendo até 70% desses casos de Alzheimer, a busca por tratamentos eficazes é mais urgente do que nunca.
Durante o curso “O Alzheimer: um enigma patogênico e terapêutico em vias de solução?”, realizado em julho na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, especialistas discutiram os avanços na pesquisa. O neurologista Juan Fortea destacou que, embora a causa do Alzheimer esporádico ainda não seja totalmente compreendida, os biomarcadores e a relação com o amiloide cerebral são centrais para entender a doença.
A neuroinflamação também foi abordada como um fator importante. Fortea e o farmacologista Luis Gandía ressaltaram que a inflamação crônica pode agravar a condição, e novas abordagens terapêuticas estão sendo exploradas. Além disso, a relação entre diabetes e Alzheimer foi discutida, com alguns pesquisadores referindo-se ao Alzheimer como “diabetes tipo 3”.
A aprovação dos novos tratamentos levanta questões sobre o financiamento. O NICE, agência britânica que decide sobre terapias financiadas, não cobrirá os custos de lecanemab e donanemab, alegando que o benefício clínico é modesto em relação ao custo elevado. No entanto, Fortea argumenta que essa visão ignora o impacto positivo que esses medicamentos podem ter no diagnóstico precoce e na qualidade de vida dos pacientes.
Por fim, os especialistas enfatizaram a importância de uma abordagem integral no tratamento do Alzheimer, que combine apoio psicológico, estimulação cognitiva e socialização. A promoção de um estilo de vida saudável e a participação em pesquisas também foram destacadas como formas de reduzir o risco de demência.
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