- Rosa Montero retornou à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 28 de outubro.
- A autora participou da mesa “A ridícula de estar lúcida”, onde discutiu criatividade e saúde mental.
- Montero enfatizou a importância da ficção para lidar com crises pessoais e rejeitou a ideia de que o sofrimento é necessário para a criação literária.
- Ela mencionou que cerca de 20% das pessoas não passam pela “poda” cerebral na puberdade, o que pode favorecer a criatividade.
- A escritora aconselhou aspirantes a autores a manterem a literatura livre de pressões do mercado.
Reencontro Afetivo
Rosa Montero, renomada escritora espanhola, fez um emocionante retorno à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) neste sábado, 28 de outubro. Em sua apresentação na mesa “A ridícula de estar lúcida”, a autora compartilhou reflexões sobre criatividade e saúde mental, conquistando novamente o coração do público brasileiro.
Durante a conversa, Montero destacou a importância da ficção como um meio de lidar com crises pessoais. Ela rechaçou a ideia de que o sofrimento é necessário para a criação literária, afirmando que “quanto menos sofrermos, melhor”. A escritora, que começou a publicar após os trinta anos, revelou que enfrentou crises de pânico desde a adolescência, buscando entender sua condição através de livros de psicologia.
Criatividade e Saúde Mental
Montero abordou a relação entre a mente criativa e os transtornos mentais, mencionando que cerca de 20% das pessoas não passam pela “poda” cerebral que ocorre na puberdade. Essas pessoas, que ela chamou de “mal-podadas”, mantêm uma mente hiperconectada, essencial para a criação literária. “É como um sonho sonhado de olhos abertos”, disse a autora, enfatizando que a ficção permite preencher os vazios da existência.
Ela também fez uma analogia entre a solidão da doença mental e a solidão da morte, afirmando que a primeira é uma experiência única e isolante. Montero ressaltou que a escrita é uma forma de reconectar-se com a realidade, permitindo que leitores e escritores compartilhem experiências e emoções.
Mensagem aos Aspirantes
Em sua fala, a escritora deixou um conselho valioso para aspirantes a autores: “A literatura criativa deve ser o mais livre possível”. Para Montero, é fundamental ter uma atividade paralela que não pressione a escrita, evitando que o mercado sufoca a criatividade. Ela também destacou que a literatura foi sua forma de estar no mundo antes mesmo de pensar em ganhar a vida.
O reencontro de Montero com a Flip reafirma seu lugar especial na literatura brasileira, onde é admirada não apenas por suas obras, mas também por sua capacidade de dialogar sobre temas relevantes e universais.
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