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Bronzeado se torna símbolo político e reflete mudanças sociais e culturais

Desinformação sobre proteção solar cresce, enquanto câncer de pele aumenta e jovens ignoram recomendações de segurança.

Julio Iglesias, que fez do bronzeado parte de sua identidade, fotografado em 1983 em Nova York por Ron Galella. (Foto: Ron Galella Collection via Getty)
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  • O bronceado, que historicamente simbolizava status e saúde, enfrenta desafios com a crescente desinformação sobre proteção solar.
  • A pele bronzeada passou a ser valorizada no início do século XX, especialmente após 1919, quando ícones como Coco Chanel influenciaram essa percepção.
  • Atualmente, um estudo indica que sessenta e cinco por cento dos espanhóis usam proteção solar regularmente, mas a incidência de câncer de pele deve aumentar em quarenta por cento até 2050.
  • A desinformação sobre proteção solar, impulsionada por teorias conspiratórias nas redes sociais, leva a comportamentos de risco, como a exposição ao sol sem proteção.
  • Um em cada cinco espanhóis não utiliza protetores solares, e muitos jovens buscam informações sobre os índices de radiação ultravioleta nos horários mais perigosos.

O bronceado, símbolo de status e saúde, enfrenta novos desafios na era da desinformação. Historicamente, a pele bronzeada era vista como um sinal de riqueza e bem-estar, especialmente após a popularização das férias pagas no século XX. No entanto, atualmente, cresce a desinformação sobre a proteção solar, com teorias conspiratórias que rejeitam a fotoproteção, refletindo uma ideologia política e cultural entre certos grupos.

Annie Ernaux, em seu livro “Los armarios vacíos”, menciona práticas antigas de bronzeamento, como o uso de misturas caseiras. Essa busca por um tom de pele dourado não é nova. Muitas pessoas se lembram de usar produtos como óleo de oliva ou misturas com Mercromina para intensificar o bronzeado. Essas práticas, embora comuns, resultavam em danos à pele e queimaduras solares.

A mudança na percepção do bronzeado começou no início do século XX, quando a exposição ao sol passou a ser valorizada. A partir de 1919, nos Estados Unidos, um leve bronzeado tornou-se sinônimo de saúde e beleza, impulsionado por ícones como Coco Chanel. Na Espanha, essa tendência se consolidou com a ampliação das férias em 1965, levando a um aumento no número de pessoas que buscavam um bronzeado perfeito.

Atualmente, um estudo revela que 65% dos espanhóis usam proteção solar regularmente. Apesar disso, o câncer de pele continua a crescer, com uma previsão de aumento de 40% na incidência até 2050. Especialistas alertam que a exposição excessiva ao sol é o principal fator de risco, e a conscientização sobre a importância da fotoproteção é crucial.

Entretanto, a desinformação sobre proteção solar está em alta, especialmente nas redes sociais. Teorias que afirmam que o sol pode curar doenças ou que os protetores solares são prejudiciais estão se espalhando rapidamente. Essa narrativa é frequentemente ligada a ideologias políticas que rejeitam a ciência e promovem uma estética de “bronzeado natural” como um ato de rebeldia.

A resistência à fotoproteção reflete uma rejeição ao que é considerado “woke” ou progressista. Essa nova visão do bronzeado como um símbolo de força e naturalidade contrasta com as recomendações de saúde pública. A desinformação pode levar a comportamentos de risco, como a exposição ao sol sem proteção, colocando a saúde da população em risco.

Embora as autoridades de saúde promovam a proteção solar, a desinformação persiste. Um em cada cinco espanhóis não utiliza protetores solares, e muitos jovens buscam informações sobre os índices UV para se expor ao sol nos horários mais perigosos. A luta contra a desinformação é essencial para garantir a saúde pública e a segurança da população.

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