- A Grande Barreira de Corais da Austrália enfrenta o maior declínio anual na cobertura de corais desde 1986, segundo um relatório do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS).
- O estudo, realizado entre agosto de 2024 e maio de 2025, identificou o estresse térmico extremo como a principal causa do problema.
- Os ramos norte e sul do recife sofreram branqueamento severo, agravado por ciclones tropicais e pela presença da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos.
- A espécie de coral Acropora, conhecida por seu rápido crescimento, foi a mais afetada.
- O governo australiano implementou um programa de controle da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos, que já eliminou mais de 50 mil desses organismos.
A Grande Barreira de Corais da Austrália enfrenta sua maior crise em quase 40 anos, com um novo relatório revelando o maior declínio anual na cobertura de corais desde o início dos registros, em 1986. O estudo, realizado pelo Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS), abrangeu 124 recifes entre agosto de 2024 e maio de 2025, destacando o estresse térmico extremo como a principal causa.
Os ramos norte e sul do recife sofreram branqueamento severo, exacerbado por ciclones tropicais e pela presença da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos, que se alimenta dos corais. A AIMS alerta que o habitat pode estar próximo de um ponto de inflexão, onde a recuperação dos corais se torna inviável entre eventos catastróficos.
O fenômeno de branqueamento ocorre quando os corais, estressados pelo calor excessivo, expulsam as algas simbióticas, as zooxantelas, essenciais para sua sobrevivência. Se as temperaturas da água se mantiverem 1°C acima do limite térmico por dois meses, os corais podem morrer. O evento de 2024-2025 é o sexto registrado desde 2016, evidenciando a gravidade da situação.
Impactos e Ações
O relatório também aponta que a espécie de coral Acropora, conhecida por seu rápido crescimento, foi a mais afetada. Mike Emslie, pesquisador da AIMS, enfatiza que, apesar dos desafios, ainda há esperança de recuperação. O governo australiano implementou um programa de controle da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos, que já eliminou mais de 50 mil desses organismos.
Richard Leck, do WWF, destaca que a saúde do recife está sob incrível estresse, alertando que sem ações climáticas rápidas e ambiciosas, o futuro da Grande Barreira de Corais pode ser sombrio. A temperatura média da superfície do mar na Austrália atingiu níveis recordes em 2024, levantando preocupações sobre a eficácia das metas de redução de emissões do país, que ainda é um dos maiores exportadores de carvão do mundo.
A Grande Barreira de Corais, patrimônio mundial há mais de 40 anos, está em risco devido ao aquecimento global e à poluição, conforme advertência da Unesco. A situação exige atenção imediata para garantir a preservação deste ecossistema vital.
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