- A planta Agave tequilana, usada no México para produzir tequila, está sendo estudada no Brasil para etanol, sequestro de carbono e alimentação animal.
- A pesquisa é liderada pela Embrapa Algodão em parceria com a Santa Anna Bioenergia e visa diversificar o uso da planta em climas semiáridos.
- O projeto, com duração de cinco anos, analisa outras variedades de agave, como o sisal, e busca gerar biomassa e energia renovável.
- Em março, pesquisadores da Embrapa visitaram o México para firmar parcerias e já estão avaliando 500 mudas em municípios da Bahia e da Paraíba.
- O projeto enfrenta desafios na mecanização do plantio e colheita do Agave, com o objetivo de facilitar o cultivo em larga escala no Brasil.
A planta Agave tequilana, tradicionalmente associada à produção de tequila no México, está sendo estudada no Brasil como uma alternativa para produção de etanol, sequestro de carbono e alimentação animal. A pesquisa, liderada pela Embrapa Algodão em parceria com a Santa Anna Bioenergia, busca diversificar o uso dessa planta adaptada ao clima semiárido, contribuindo para a bioeconomia e a transição energética no país.
O projeto, que se estenderá por cinco anos, inclui a análise de outras variedades do gênero agave, como a sisal, já utilizada na produção de cordas. O foco é explorar o potencial do Agave para gerar biomassa, energia renovável e ração animal. Tarcísio Gondim, pesquisador da Embrapa, destaca que essa inovação pode mitigar desigualdades regionais e enfrentar a precarização das áreas sisaleiras do Nordeste.
Parcerias e Unidades de Referência
Em março, pesquisadores da Embrapa visitaram o México para estabelecer parcerias com o Instituto Nacional de Investigações Florestais, Agrícolas e Pecuárias. As primeiras 500 mudas de Agave tequilana já estão sendo avaliadas em municípios da Bahia e da Paraíba. A primeira Unidade de Referência Tecnológica foi implantada em Jacobina, com 1.800 mudas.
O projeto inclui ensaios sobre arranjos de plantio e manejo da cultura, visando maximizar o rendimento econômico. Além disso, estão sendo desenvolvidas metodologias para analisar a química da biomassa do Agave, com o intuito de aprimorar a produção de etanol e ração animal a partir dos resíduos da planta.
Desafios e Mecanização
Os resíduos da produção de etanol de Agave também estão sendo explorados como fonte de alimentação para ruminantes, especialmente em períodos de escassez no Semiárido. O zootecnista Manoel Francisco de Sousa acredita que isso pode melhorar a sustentabilidade da pecuária na região.
Um dos principais desafios do projeto é a mecanização das etapas de plantio e colheita do Agave. Odilon Reny Ribeiro, especialista em mecanização agrícola, ressalta que, embora o México já utilize mecanização em várias etapas, o plantio ainda é manual. O objetivo é desenvolver soluções que viabilizem a mecanização em larga escala no Brasil, facilitando o cultivo do Agave em grandes áreas.
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