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Caatinga se destaca como essencial para o sequestro de carbono no Brasil

Caatinga se destaca na captura de carbono, superando Amazônia e Cerrado, e exige atenção urgente para sua preservação e monitoramento

Área de conservação do bioma Caatinga na comunidade Fundo do Pasto de Malhada da Areia, em Juazeiro, na Bahia (Foto: Pablo Porciuncula - 10.jun.24/AFP)
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  • Um estudo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp revela que a caatinga capturou 48% do carbono no Brasil em 2022.
  • A pesquisa, liderada pelo professor Newton La Scala Jr. e pelo pesquisador Luís Miguel da Costa, destaca a caatinga como um bioma crucial para o sequestro de carbono, superando a Amazônia e o Cerrado.
  • A análise utilizou dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) e do Climate Trace, que emprega tecnologia de satélite e inteligência artificial.
  • Durante anos de chuvas abundantes, a caatinga se torna um importante sumidouro de carbono, sequestrando cerca de 40% do total de remoções do país.
  • O estudo enfatiza a necessidade de políticas públicas para a preservação da caatinga, que é vital na mitigação das mudanças climáticas no Brasil.

Estudo revela que a caatinga é crucial na captura de carbono no Brasil

Um novo estudo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp destaca a importância da caatinga na captura de carbono, revelando que este bioma foi responsável por 48% da remoção de carbono no Brasil em 2022. A pesquisa, liderada pelo professor Newton La Scala Jr. e pelo pesquisador Luís Miguel da Costa, mostra que a caatinga, embora menos reconhecida, superou outros biomas, como a Amazônia e o Cerrado, em termos de sequestro de carbono.

Os pesquisadores analisaram dados de duas fontes principais: o Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e o Climate Trace, que utiliza tecnologia de satélite e inteligência artificial para monitorar emissões. A caatinga, que ocupa cerca de 10% do território brasileiro, demonstrou uma capacidade notável de se adaptar a variações climáticas, especialmente em anos de chuvas abundantes, o que potencializa sua atividade fotossintética.

Crescimento acelerado e preservação

A pesquisa revelou que a vegetação da caatinga responde rapidamente ao aumento da disponibilidade hídrica, resultando em um crescimento acelerado que contribui significativamente para a captura de CO2. Durante períodos de chuvas, a caatinga se torna um sumidouro expressivo de carbono, sequestrando cerca de 40% do total de remoções do país. Essa característica é fundamental para entender o papel do bioma na mitigação das mudanças climáticas.

Os dados também indicam que, apesar da caatinga ser frequentemente vista como um bioma com baixa biodiversidade, sua capacidade de captura de carbono é impressionante e merece mais atenção em termos de conservação e monitoramento. O estudo enfatiza que a preservação da caatinga é tão vital quanto a da Amazônia, destacando a necessidade de políticas públicas que priorizem a proteção desse bioma.

Desmatamento e emissões de gases de efeito estufa

As emissões de gases de efeito estufa no Brasil estão intimamente ligadas às mudanças no uso da terra. Em 2023, as emissões brutas totalizaram aproximadamente 2,3 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, uma redução de 12% em relação ao ano anterior. O desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado, continua a ser um grande desafio, mas a pesquisa sugere que a caatinga pode desempenhar um papel crucial na compensação dessas emissões.

A análise comparativa entre os inventários Seeg e Climate Trace revelou diferenças significativas nas estimativas de remoção de carbono, com variações que podem chegar a 1 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Essa discrepância ressalta a importância de métodos de monitoramento mais dinâmicos que considerem as variações climáticas e a resposta da vegetação.

O estudo conclui que a caatinga, com sua capacidade única de captura de carbono, deve ser reconhecida e valorizada, não apenas como um bioma menosprezado, mas como um componente essencial na luta contra as mudanças climáticas no Brasil.

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