- Estudo de revisão alerta para a queda de animais dispersores de sementes, o que pode impactar florestas e o clima.
- Aproximadamente metade das plantas, inclusive 90% das árvores de florestas tropicais, dependem desses animais para se propagarem.
- Animais frugívoros ajudam as sementes a germinar mais rápido e em lugares mais seguros; sua ausência reduz a germinação e o estabelecimento das plantas.
- Exemplos incluem aves, morcegos, macacos, antas e até peixes que dispersam sementes em ecossistemas como a Amazônia e o Pantanal.
- As principais causas são perda de habitat, fragmentação, espécies invasoras e exploração animal; a queda na dispersão de sementes pode reduzir o acúmulo de carbono em florestas de regeneração.
O aumento da preocupação com a queda de dispersores de sementes, ao lado das taxas de polinizadores, ganha reforço em uma revisão que alerta para impactos significativos nas florestas e no clima. O estudo defende que a redução desses animais é tão importante quanto a das abelhas para a restauração.
Segundo o coautor Mauro Galetti, diretor do Centro de Pesquisas em Dinâmica da Biodiversidade e Mudanças Climáticas da Universidade Estadual Paulista, ambas as áreas devem ser consideradas em ações de conservação. A divulgação enfatiza que muitos plantios dependem de dispersores de sementes para a propagação.
A revisão aponta que aproximadamente metade das plantas, incluindo 90% das árvores de florestas tropicais, depende de animais frugívoros para a dispersão de sementes. Esses animais ajudam a germinar sementes ao digeri-las e depositá-las em locais adequados.
Entre os dispersores mais comuns estão aves, morcegos, macacos e antaíras. Em ecossistemas específicos, como a Mata Atlântica, há peixes que também participam da dispersão em manchas ribeirinhas, enquanto peixes como pacu e tambaqui percorrem grandes distâncias com frutos na dieta.
A pesquisa reforça que a redução de dispersores pode reduzir a capacidade de regeneração de florestas e, potencialmente, a captura de carbono. Estima-se que a interrupção do serviço de dispersão possa impactar a acúmulo de carbono em várias toneladas por hectare por ano em florestas de regeneração tropical.
Dados de 2022 indicam queda na diversidade e nos rankings de dispersão a longas distâncias, o que limita a capacidade de plantas se deslocarem para novas faixas de habitat diante do aquecimento global. O efeito é visto como prejudicial à adaptação das florestas.
As principais causas apontadas para o declínio são a perda de habitat, a fragmentação de paisagens, espécies invasoras e exploração animal. Pesquisadores destacam que proteger, gerenciar e restaurar dispersores é essencial para enfrentar a queda da natureza e os desafios climáticos.
O estudo conclui que ações de conservação específicas para dispersores de sementes devem acompanhar estratégias de restauração, assegurando a continuidade de serviços ecossistêmicos cruciais para florestas e clima.
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