- Cientistas da Oregon Health & Science University (OHSU) criaram óvulos fecundáveis a partir de células da pele humana usando a técnica chamada mitomeiose.
- A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications e é considerada um avanço no tratamento da infertilidade e na assistência a casais homoafetivos.
- A mitomeiose combina mitose e meiose, forçando células comuns a agirem como células reprodutivas.
- Foram produzidos 82 óvulos experimentais, mas todos os embriões gerados apresentaram erros cromossômicos, impedindo seu desenvolvimento saudável.
- Os cientistas estimam que o aperfeiçoamento da técnica pode levar até uma década, e sua implementação clínica enfrentará desafios éticos e regulatórios.
Cientistas da Oregon Health & Science University (OHSU) anunciaram um avanço significativo na biologia reprodutiva ao criarem óvulos fecundáveis a partir de células da pele humana. A técnica, chamada de mitomeiose, foi publicada na revista *Nature Communications* e representa um marco para o tratamento da infertilidade e para casais homoafetivos que desejam ter filhos.
A mitomeiose combina elementos da mitose e da meiose, forçando células comuns a se comportarem como células reprodutivas. O diretor do Centro de Terapia Genética da OHSU, Shoukhrat Mitalipov, destacou que essa realização era considerada impossível. Os pesquisadores utilizaram a transferência nuclear de células somáticas, já empregada na clonagem da ovelha Dolly, para inserir o núcleo de uma célula da pele em um óvulo doador.
A equipe produziu 82 óvulos experimentais, dos quais cerca de 9% atingiram o estágio de blastocisto, ponto em que embriões de fertilização in vitro são geralmente transferidos para o útero. Contudo, todos os embriões apresentaram erros cromossômicos, o que impede seu desenvolvimento saudável. A coautora do estudo, Paula Amato, ressaltou que o trabalho é uma prova de conceito, mas que requer refinamento antes de aplicações clínicas.
Desafios e Perspectivas
Embora a técnica apresente potencial, os cientistas reconhecem que ainda há desafios a serem superados. Mitalipov estimou que aperfeiçoar o método pode levar uma década. A técnica poderia beneficiar mulheres que não conseguem produzir óvulos devido a fatores como idade avançada ou tratamentos médicos. Também poderia oferecer uma alternativa para casais do mesmo sexo.
Especialistas como Richard Anderson, da Universidade de Edimburgo, veem a capacidade de gerar novos óvulos como um grande avanço, embora ressaltem a necessidade de abordar preocupações de segurança. Por sua vez, Amander Clark, da Universidade da Califórnia, destacou que, apesar das limitações atuais, o estudo representa um passo importante no enfrentamento da infertilidade.
A pesquisa abre novas possibilidades, mas a implementação clínica enfrentará rigorosos escrutínios éticos e regulatórios, especialmente devido à sua relação com a clonagem. O caminho para a aplicação dessa técnica ainda é incerto, mas os avanços na biologia reprodutiva prometem impactar positivamente a vida de muitos.
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