- Leões-da-árvore? Não. Leopards de África Ocidental são classificados como em perigo, com cerca de 350 indivíduos adults restantes na região.
- A população encolheu 50% nas últimas duas décadas, levando a mudança de categoria na Lista vermelha da IUCN em outubro.
- Há leopards em onze países: Benin, Burkina Faso, Côte d’Ivoire, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Níger, Nigéria, Senegal e Serra Leoa.
- A maioria vive em áreas protegidas cercadas por paisagens cada vez mais fragmentadas, pressionadas por agricultura, infraestrutura e outras atividades humanas; a caça também reduz presas.
- Especialistas destacam a necessidade de estratégia regional, aumento de patrulhas em parques, campanhas de conscientização e alternativas culturais para reduzir a caça e o uso de partes do leopardo como talismãs.
A população de leopardos no Oeste da África é oficialmente classificada como em perigo pela IUCN, após uma queda de 50% nas últimas duas décadas. Restam cerca de 350 indivíduos maduros na região, segundo a avaliação regional mais recente.
Os leopardos dessa área são considerados geneticamente isolados dos da África Central, com pouca ou nenhuma troca entre populações. Eles estão presentes em 11 países: Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Níger, Nigéria, Senegal e Serra Leoa.
A mudança de categoria ocorreu após cinco anos de trabalhos de campo conduzidos pela Panthera, ONG com atuação nos EUA, que analisou o status de conservação para a Red List da IUCN. A atualização foi publicada em 9 de outubro.
A maioria dos leopards na região habita áreas protegidas cada vez mais fragmentadas, sob pressão de expansão agrícola, construção de infraestrutura e outras atividades humanas. A caça de grandes mamíferos também contribui para a queda.
Segundo Robín Horion, técnico de campo da Panthera, o Oeste da África recebe menos financiamento, menos pesquisadores e menos cultura de conservação em comparação com o leste e sul do continente. A escassez de turismo agrava o problema.
A perda de leopards é associada à caça para reduzir a competição, uma vez que competem por animais de caça de bushmeat. Além disso, a pele e partes do corpo são alvo de caçadores por crenças sobre poderes espirituais e medicinais, o que aumenta o valor como talismãs em países como Gana e Senegal.
Apesar do diagnóstico sombrio, Horion afirma manter o otimismo. A chamada de atenção deve motivar governos a agir com soluções concretas, como uma estratégia regional para fortalecer patrulhas em parques e ampliar campanhas de conscientização.
Entre as medidas consideradas estão o fortalecimento de patrulhamento, a promoção de alternativas culturais para combater a demanda por grigris e o desenvolvimento de planos transfronteiriços que envolvam os países afetados.
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