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Formigas com jet lag: estudo revela comportamento semelhante ao humano

Perturbações no ciclo de luz provocam dessincronização em saúvas, elevando o consumo de alimento e reduzindo a coleta de folhas no formigueiro

Formiga cortadeira usa quelíceras, os aparatos bucais em forma de tesoura, para recortar folha.
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  • Pesquisadores da USP mostraram que perturbações no ciclo de luz causam dessincronização semelhante ao jet lag em saúvas, impactando o relógio biológico da colônia.
  • Com essa desordem temporal, a colônia apresenta maior gasto energético, consome mais e coleta menos folhas para cultivar o fungo Leucocoprinus gongylophorus.
  • O estudo destaca as formigas cortadeiras como exemplo de eussozialidade, com milhões de indivíduos organizados em funções distintas.
  • A pesquisa, publicada na Communications Biology, acompanhou uma colônia de 10 a 15 mil formigas e utilizou um modelo para medir fluxos de forrageamento.
  • Os resultados indicam que a desordem no ritmo diário afeta a organização social e a eficiência do grupo, evidenciando o relógio biológico coletivo.

Formigas cortadeiras mostram desenho semelhante ao jet lag humano, segundo pesquisa do Instituto de Biociências da USP. O estudo avalia como alterações no ciclo de luz afetam o relógio biológico coletivo das saúvas e a organização social do formigueiro.

A equipe acompanhou colônias de saúvas, insetos eusociais que cultivam fungos para alimentação. Quando o ritmo diário é perturbado, a colônia apresenta maior gasto energético: consome mais alimento e reduz a coleta de folhas.

O trabalho analisa como esse choque temporal impacta o forrageamento, a divisão de tarefas e a comunicação entre indivíduos. A cidade científica aponta que o relógio social é calibrado para o ciclo dia-noite de 24 horas, comum na Terra.

Os autores destacam que o relógio é coletivo, não apenas individual. A rainha deposita ovos ao longo da vida e as demais operam funções distintas para manter a colônia funcionando, incluindo cuidado com a prole e manejo do fungo.

O estudo mostra que, diante da dessincronização, o ritmo de alimentação aumenta enquanto a forrageação permanece estável. A resposta é interpretada como custo energético adicional imposto ao grupo. Dados foram obtidos por meio de contagens automatizadas.

Segundo Mila Pamplona-Barbosa, uma das autoras, as formigas cortadeiras servem como modelo de estudo para cronobiologia. A analogia com o corpo humano facilita a compreensão do relógio biológico compartilhado pela colônia.

O artigo The cost of re-synchronization in a leafcutter ant colony foi publicado na Communications Biology. A pesquisa reforça a importância da sincronização temporal para a eficiência social e para o equilíbrio energético das saúvas.

Mais informações sobre o estudo podem ser obtidas com os contatos das equipes envolvidas: Mila Pamplona-Barbosa, Gisele Oda e André Helene, da USP, e Mila em colaboração com Stanford.

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