- Pesquisadores apresentam a ideia de “economia circular das aves marinhas”, destacando a transferência de nutrientes do oceano para a terra quando as aves voltam para nidificar.
- As aves carregam guano, penas e cascas de ovos para as áreas de reprodução, levando nitrogênio, fósforo, carbono e cálcio aos ecossistemas terrestres.
- Em algumas regiões, como na Antártida e no Oceano Sul, as aves fornecem mais de oitenta por cento dos nutrientes disponíveis, sendo motivadoras da produtividade local.
- Ilhas cercadas por aves apresentam recifes de coral que se recuperam mais rápido, maior biomassa de peixe e mais macroalgas do que ilhas sem aves.
- Quase trinta por cento das espécies estão em risco de extinção; ameaças incluem predadores introduzidos, pesca como bycatch, poluição plástica, sobrepesca e mudanças climáticas.
Os pesquisadores definem a importância das aves marinhas em uma nova ideia: a economia circular das aves marinhas. O conceito aparece em uma revisão publicada na Nature Reviews Biodiversity e descreve como as aves, ao passam boa parte da vida no mar e retornarem à terra para nidificar, transferem nutrientes oceânicos para ambientes terrestres.
Durante a reprodução, grandes colônias liberam guano, penas e conchas na terra, levando fósforo, carbono, nitrogênio e cálcio aos solos. Esse fluxo de nutrientes sustenta comunidades vegetais, que, por sua vez, suportam insetos, aves e répteis. O movimento de nitrogênio e fósforo pode igualar ou vencer o aporte gerado pela pesca comercial.
Em regiões como a Antártida e o Atlântico Sul, as aves marinhas respondem por mais de 80% dos nutrientes disponíveis para ecossistemas terrestres e marinhos, destacando-as como motor de produtividade em ambientes extremamente adversos. A chegada de novas ilhas pela ação das aves introduz sementes e nutrientes que estimulam a vida local.
Impacto nos ecossistemas
Estudos indicam que parte dos nutrientes retorna ao ambiente marinho, alimentando redes tróficas. Ilhas costeiras com aves apresentam recuperação de recifes de coral após eventos de branqueamento, maior biomassa de peixes e crescimento acelerado de macroalgas. O ecossistema marinho fica mais resiliente frente a mudanças climáticas.
Pesquisas destacam que recifes crescem mais rápido e se calcificam com maior eficiência, condições importantes diante de eventos climáticos extremos e do aumento do nível do mar. A presença de aves, portanto, amplia o ritmo de recuperação de ambientes costeiros e subaquáticos.
Ameaças e preservação
Quase um terço das espécies de seabirds está em risco de extinção. Principais ameaças incluem predadores introduzidos, como ratos e gatos em ilhas, que comem ovos e pintos. No mar, as aves sofrem captura acidental em atividades de pesca e são afetadas por poluição plástica, sobrepesca e mudanças climáticas.
Especialistas ressaltam que proteger as seabirds é uma das estratégias mais importantes para impactos positivos em terra, no mar e nas comunidades humanas. A restauração dessas aves pode acelerar a recuperação de ecossistemas inteiros, conforme observado pelos pesquisadores em estudos recentes.
Nota sobre fontes: o estudo e as declarações são citados por especialistas do The Nature Conservancy e de organizações vinculadas a conservação marinha, conforme informações fornecidas aos veículos de imprensa.
Entre na conversa da comunidade