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Do vira-lata ao pedigree: quando as raças caninas ficaram tão distintas?

Estudo aponta que a diversificação craniana dos cães ocorreu há pelo menos 11 mil anos, antes da proliferação de raças formais

Vira-lata caramelo caiu nas graças dos brasileiros; novo estudo revela que diversidade entre cães começou há pelo menos 11 mil anos.
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  • Um estudo analisou 643 crânios de cães domesticados e lobos, indicando que a diversidade craniana começou há pelo menos 11 mil anos, no fim da última Idade do Gelo.
  • Morfologias caninas específicas já eram identificáveis há 11 mil anos, em crânios encontrados no vilarejo de Veretye, na Rússia.
  • Durante a domesticação, os crânios dos cães ficaram, em termos proporcionais, mais curtos e largos do que os dos lobos, mas sem as raças extremas atuais.
  • O conceito de raça é recente e não pode ser definido apenas pela morfologia; não é possível identificar raças específicas apenas a partir de crânios.
  • O estudo, publicado na revista Science, reforça que a diversidade canina se formou ao longo de milênios, com impactos de funções utilitárias e, mais tarde, de estética e status.

Desde a última Idade do Gelo, a diversidade física dos cães já existia, segundo estudo publicado na Science. A pesquisa avaliou crânios de cães domesticados e de seus ancestrais lobos para entender quando surgiram formas variadas.

Cientistas analisaram 643 crânios, com idades de mais de 50 mil anos em alguns casos. Os resultados indicam que a diversificação craniana começou há pelo menos 11 mil anos, quando terminou a última glaciação.

O trabalho revela que as diferenças entre cães não são apenas resultado da reprodução seletiva recente, mas de processos que se estabeleceram na pré-história. O estudo contraria a ideia de que a variedade atual é efeito exclusivo dos últimos séculos.

A equipe envolvida destaca que, embora as morfologias extremas atuais não tenham surgido ainda, raças antigas já exibiam grande parte da diversidade presente em cães modernos. O foco foi na forma dos crânios, não em pelagem, tamanho corporal ou comportamento.

Os pesquisadores basearam-se em modelos tridimensionais de crânios de 158 cães modernos, 86 lobos modernos, 281 cães ancestrais e 118 lobos ancestrais. As amostras foram coletadas em sítios arqueológicos da Eurásia, com evidências do mesolítico e neolítico.

Entre as descobertas está a identificação de morfologias caninas específicas em Veretye, na Rússia, há cerca de 11 mil anos. A domesticação fez com que os crânios dos cães se tornassem mais curtos e largos em relação aos dos lobos.

Carly Ameen, da Universidade de Exeter, afirma que, naquele período, já havia metade da diversidade craniana presente nos cães de hoje, refletindo adaptações a diferentes contextos ecológicos e culturais. O estudo também ressalta que o dogs deriva de uma população de lobos ancestral distinta de lobos modernos.

Ameen frisa que a noção de raça é recente e não pode ser aplicada aos registros arqueológicos apenas pela morfologia craniana. Ainda assim, não foram observadas extremas morfologias vistas em raças atuais como pugs ou bulldogs.

O exato local e o momento da origem da domesticação permanecem incertos. Entretanto, os autores destacam a importância histórica dos cães para os humanos ao longo de milênios, como parceiros multifuncionais em atividades utilitárias e como símbolos sociais.

Para entender a evolução, Allowen Evin lembra que a seleção humana variou funções dos cães ao longo de milênios, incluindo caça, pastoreio, proteção e puxar trenós. Os autores apontam que, nos séculos recentes, estética e clubes de raça ajudaram a consolidar a diversidade formal.

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