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Fuligem, o superpoluente que agrava queimadas, retratada em fotos

Carbono negro, particula fina resultante de queimadas, permanece no ar por semanas e agrava aquecimento e danos à saúde, revela série fotográfica no Brasil

Soot: The super-pollutant choking a burning Earth, in photos
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  • Fotojornalista Victor Moriyama, em parceria com o Clean Air Fund e Climate Visuals, percorreu o Brasil em 2025 para registrar a fumaça, o fuligem (carvão negro) e os impactos humanos nas queimadas, do Amazonas a comunidades do sudeste.
  • A série mostra que a fuligem permanece no ar por semanas ou meses, aquecendo o planeta ao aumentar a absorção de calor e manchando solo e gelo.
  • Os efeitos na saúde são graves: a fuligem contribui para pelo menos 8,1 milhões de mortes prematuras por ano, incluindo cerca de 700 mil crianças com menos de cinco anos.
  • Entre 2019 e 2023, apenas 1% do financiamento internacional para desenvolvimento foi destinado a projetos de ar limpo, segundo relatório do Clean Air Fund.
  • As fotos destacam situações em áreas como Acre e Minas Gerais, com moradores e trabalhadores enfrentando queimadas, fumaça e impactos ambientais.

Soot: a poluição negra que agrava o aquecimento global. Um novo conjunto de fotos destaca o impacto humano da queima de combustíveis fósseis e de florestas no Brasil. A série acompanha incêndios e seus efeitos em comunidades ao longo de 2025.

O projeto é assinado pelo fotojornalista premiado Victor Moriyama, em parceria com o Clean Air Fund e Climate Visuals. Ele percorreu o país, do Amazonas ao Sudeste, documentando a presença de fuligem e suas consequências na saúde.

Atração central da mostra, a fuligem — também chamada de carbono negro — permanece suspensa no ar semanas ou meses. Ao depositar-se, escurece superfícies, aumenta a absorção de calor e acelera o aquecimento.

Para moradores próximos aos focos de cana, pastagem ou queimadas, a fuligem é inevitável. A inalação pode provocar doenças respiratórias, piora de enfermidades e até óbitos.

Estima-se que a fuligem contribua para milhares de mortes anuais no mundo, com números que chegam a dezenas de milhares de crianças menores de cinco anos. As cifras refletem impacto direto na saúde pública.

Desse modo, a visibilidade do problema permanece baixa apesar dos danos comprovados na saúde e no clima. Dados do Clean Air Fund indicam que apenas 1% do financiamento internacional foi destinado a projetos de ar são entre 2019 e 2023.

O conteúdo da série inclui imagens de áreas rurais e urbanas atingidas, além de entrevistas com moradores e profissionais locais que lidam com as queimadas e com os impactos da poluição atmosférica.

Perspectiva do fotógrafo

Moriyama descreve a experiência de registrar incêndios na Amazônia e seus efeitos sobre comunidades. O registro fotográfico busca evidenciar a relação entre queimadas, fuligem e saúde, em meio a temporadas secas recorrentes.

As fotografias mostram chamas que consomem a floresta para criação de pastagens, áreas de descarte de resíduos e queimadas em terrenos urbanos. As imagens retratam a lentidão da resposta local frente aos incêndios.

Além das chamas, o material destaca trabalhadores informais de limpeza de resíduos em depósitos municipais, onde a queima de lixo é frequente e produz fuligem visível ao redor.

Contexto regional e humano

Em Acre e Minas Gerais, áreas representadas pela série sofrem com queimadas intensas em ecossistemas variados. Moradores relatam frentes de fogo próximas a comunidades e estruturas domésticas, gerando preocupação com a saúde ocular e respiratória.

A série também registra as dificuldades de acesso a equipamentos de proteção individual adequados para quem vive em zonas de fogo frequente. A exposição contínua aumenta riscos de doenças agudas e crônicas.

Recomposição e foco

As imagens enfatizam a necessidade de políticas públicas que priorizem qualidade do ar e proteção de populações vulneráveis. A série busca ampliar a compreensão pública sobre o tema e estimular ações de mitigação.

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