- Estudo europeu mostra que a expectativa de vida em países de alta renda está desacelerando; o ganho anual não passa de cerca de dois meses desde a década de noventa.
- Não deve haver geração nascida entre 1980 e 2000 que atinja, em média, 100 anos; a média permanece entre oitenta e cinco e noventa anos.
- A pesquisa analisou mortalidade em vinte e três países ricos, utilizando seis métodos estatísticos para projetar tendências de longevidade entre gerações vivas.
- No Brasil, especialistas destacam que o contexto é diferente e que é preciso ampliar o acesso a serviços de saúde, alimentação saudável e prevenção para envelhecimento saudável.
- Mesmo sem chegar à média de cem anos, é comum indivíduos alcançarem essa marca; o foco está em manter qualidade de vida e independência na velhice, com ações preventivas e hábitos saudáveis.
Um estudo liderado por pesquisadores europeus indica que a expectativa de vida ainda cresce, mas em ritmo mais lento em países de alta renda. A pesquisa, publicada em agosto na revista PNAS, aponta que a longevidade pode estar perto de estacionar e que nenhuma geração nascida entre 1939 e 2000 deverá atingir a média de 100 anos.
Segundo os dados analisados, o ganho anual na longevidade desde a década de 1990 não passa de dois meses, muito abaixo do avanço observado no início do século XX. O estudo utilizou seis métodos estatísticos com cohortes de várias gerações vivas.
Para a geriatra Erika Satomi, do Einstein Hospital Israelita, o trabalho é ambicioso ao explorar grandes volumes de dados e pode orientar políticas públicas, ainda que o contexto seja de países desenvolvidos. Ela alerta para cautela ao aplicar os resultados ao Brasil.
O estudo relembra que, em 1900, a expectativa de vida era de 62 anos, aumentando até 80 anos em 1938. A partir daí, o ritmo de ganho desacelerou, mantendo-se entre 85 e 90 anos. As projeções indicam que, mesmo as pessoas nascidas a partir de 1980 podem não chegar a 100 anos em média.
Mesmo sem atingir a marca de 100 anos na média, casos isolados de longevidade continuam ocorrendo com mais frequência. Satomi diz que a realidade individual pode divergir da média populacional, com qualidade de vida sendo prioridade para quem alcança idades elevadas.
Um novo foco para envelhecer bem surge ao considerar que a mortalidade infantil já está sob controle nos países estudados. A fronteira, segundo a pesquisa, passa a ser o combate a doenças associadas ao envelhecimento, como câncer, doenças cardíacas e neurodegenerativas.
Segundo a pesquisadora, intervenções devem mirar melhoria do check-up, acesso a alimentação saudável e prática regular de atividades físicas. A universalização dessas ações entre idosos pode ampliar a independência e a qualidade de vida após os 80 anos.
No consultório, muitos pacientes ainda sonham com o século de vida. Satomi ressalta que datas redondas têm impacto, mas que a prioridade é manter a saúde presente para favorecer futuros ganhos de qualidade de vida.
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