- Cerca de 25 milhões de americanos com doenças genéticas raras enfrentam falta de tratamentos eficazes e de boa informação, e muitos não têm diagnóstico claro.
- A ideia de que cada gene produz apenas uma proteína é questionada: a maioria dos genes pode gerar várias proteínas, e mutações podem afetar apenas versões específicas.
- Em dois casos de SIFD, mutações afetaram apenas uma das proteínas produzidas pelo gene TRNT1, resultando em apresentações clínicas distintas.
- Foi criada a ferramenta SwissIsoform para identificar mutações relevantes que afetam versões específicas de proteínas em pacientes.
- O objetivo é melhorar diagnóstico, compreender a biologia da doença e avançar para terapias personalizadas no futuro.
Poucas informações sobre doenças genéticas raras chegam aos pacientes de forma clara, e muitos ainda carecem de diagnósticos precisos. Pesquisadores apontam que bilhões de genomas podem ocultar versões alternativas de proteínas, o que complica a interpretação de mutações.
Um estudo publicado no Molecular Cell, em 7 de novembro, revisa como genes que costumam produzir mais de uma proteína podem alterar a relação entre genótipo e doença. A pesquisa mostra que mutações aparentemente sem efeito podem impactar proteínas diferentes produzidas pelo mesmo gene.
A investigação envolve o Whitehead Institute, MIT, e o Boston Children’s Hospital. Dois casos de SIFD — sideroblastic anemia com imunodeficiência B, febres periódicas e atraso no desenvolvimento — ajudam a ilustrar: mutações que afetam apenas uma das proteínas podem levar a apresentações clínicas distintas.
Casos clínicos e a descoberta
Em parceria com Mark Fleming, chefe de patologia do Boston Children’s, os pesquisadores identificaram mutações que eliminam apenas a versão mitocondrial ou apenas a versão nuclear de proteínas associadas ao gene TRNT1. Os pacientes apresentaram sinais atípicos de SIFD, fortalecendo a hipótese de que versões diferentes da proteína contribuem de formas distintas.
A partir dessa constatação, desenvolvem-se estratégias para ampliar a detecção de mutações relevantes. Surge a ferramenta SwissIsoform, destinada a identificar variantes que afetam versões específicas das proteínas, incluindo mutações não detectadas por métodos tradicionais.
Implicações e próximos passos
Os autores defendem que considerar múltiplas proteínas produzidas por um mesmo gene pode melhorar o diagnóstico e a compreensão da biologia de doenças. A longo prazo, o trabalho visa apoiar terapias personalizadas no campo de doenças raras. Atualmente, a ênfase está em disseminar esse conceito entre clínicos e pacientes.
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