- Um homem alemão, conhecido como “paciente de Berlim 2”, tornou-se a sétima pessoa curada da infecção por HIV após transplante de medula para tratar câncer de sangue.
- Ao contrário dos casos anteriores, ele recebeu células com apenas uma cópia mutante do gene CCR5 (heterozigoto), e continua sem sinais de HIV há sete anos.
- O achado foi publicado na revista Nature, consolidando a possibilidade de cura com doadores que carregam apenas uma cópia da mutação.
- Dos sete casos de cura, cinco receberam doadores com duas cópias da mutação CCR5 (homozigotos); Berlim 2 usa apenas uma cópia.
- A descoberta amplia a lista de potenciais doadores e sugere que células com uma cópia mutante podem ser suficientes para curar o HIV em pacientes com leucemia.
Um homem na Alemanha ficou conhecido como “paciente de Berlim 2” ao se tornar a sétima pessoa curada da infecção pelo HIV após tratamento para câncer de sangue. O caso, comemorado na divulgação da revista Nature, envolve transplante de células-tronco com uma mutação parcial no gene CCR5.
Diferentemente de casos anteriores, as células transplantadas não eram totalmente imunes ao vírus. Mesmo assim, o paciente permanece sem sinais de HIV há sete anos, sem uso de antirretrovirais, sugerindo que a cura pode ocorrer também com heterozigotos de CCR5.
O histórico é relevante porque o primeiro caso conhecido ocorreu em 2007 com o “paciente de Berlim”, Timothy Brown. Ao todo, outros seis pacientes também teriam alcançado cura aparente após transplantes para leucemia.
O que muda com a heterozigose no CCR5
O CCR5 codifica uma proteína essencial para a entrada do HIV nas células. A mutação CCR5-Δ32 inibe essa entrada quando presente em duas cópias. Até agora, cinco dos sete casos de cura envolveram doadores com duas cópias mutantes.
No caso alemão, o paciente recebeu células com apenas uma cópia mutante. Mesmo com a proteína CCR5 presente, a infecção não se manteve ativa no organismo por anos, indicando possível benefício de heterozigotos para a cura em certos cenários.
O achado amplia o leque de potenciais doadores para transplantes de medula em pacientes com HIV e leucemia. Pesquisadores ressaltam que o procedimento continua complexo, arriscado e não aplicável em larga escala.
Contexto científico e implicações
A pesquisa já havia sido apresentada em conferência em 2024 e agora foi publicada na Nature. Estudos anteriores mostraram cura em pacientes com leucemia que receberam doadores CCR5-Δ32 homozigotos, ou seja, com ambas as cópias mutantes.
Especialistas observam que a estabilidade de longo prazo da suposta cura ainda requer acompanhamento. Um outro caso, o denominado “paciente de Genebra”, não teve acompanhamento tão longo, dificultando conclusões definitivas.
O estudo reforça a ideia de que duplicidade da mutação não é estritamente necessária para suposta cura, abrindo caminho para novas estratégias. Pesquisas adicionais devem confirmar validade em maior número de pacientes.
Os dados fortalecem a perspectiva de que tratamentos personalizados, envolvendo CCR5 e transplantes, podem evoluir. Contudo, autoridades médicas alertam sobre limitações, riscos do procedimento e necessidade de confirmação comprovada.
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