- A revista Regulatory Toxicology and Pharmacology retratou formalmente um artigo de 2000 que defendia a segurança do glifosato, citando preocupações éticas sobre autoria, confiabilidade dos resultados e conflitos de interesse.
- O estudo, apresentado como independente, teve autores externos à Monsanto, mas documentos internos mostraram influência da empresa e uso de técnicas de ghostwriting para favorecer a defesa do Roundup.
- E-mails internos da Monsanto destacaram a estratégia “Freedom to Operate” e imagens de apoio ao artigo, além de elogios à equipe envolvida na pesquisa e à relação com os autores.
- Autoridades e a própria empresa divergem sobre o peso do estudo: a EPA afirma não ter baseado conclusões em aquele artigo, enquanto a Bayer diz que a maioria dos estudos não envolve Monsanto; a retração acompanha uma avaliação atual de risco esperada para 2026.
- A notícia repercute em litígios envolvendo câncer e Roundup, com advogados enfatizando que o estudo ghostwritten é um exemplo de subversão do processo de avaliação científica; a Bayer comenta que a maior parte das pesquisas continua sem envolvimento da empresa.
O jornal Regulatory Toxicology and Pharmacology retirou oficialmente um estudo de 2000 que defendia a segurança do herbicida Roundup e do ingrediente ativo, o glifosato. A decisão ocorreu por questões éticas, autoria e conflitos de interesse, e pelo uso exclusivo de estudos não publicados pela Monsanto.
A publicação, intitulada Safety Evaluation and Risk Assessment of the Herbicide Roundup and Its Active Ingredient, Glyphosate, concluiu que o glifosato não representa riscos à saúde humana. Autores externos foram apresentados como independentes, o que mais tarde foi contestado.
Autoria e conflitos de interesse
Relatórios internos da Monsanto, revelados em litígios, mostraram influência da empresa na pesquisa. E-mails destacaram elogios a funcionários da empresa e planos de uso da publicação para defender Roundup, inclusive em comunicação de marketing.
O material também evidenciou prática de ghostwriting. Em 2015, insinuações de que a equipe poderia ter redigido artigos com a participação de terceiros surgiram em trocas internas, citando métodos já usados em 2000.
Repercussões e contexto regulatório
Autoridades regulatórias, como a EPA, citaram o estudo como base para avaliações de segurança do glifosato. A EPA afirma não ter utilizado aquele artigo em suas conclusões atuais, que seguem com base em milhares de estudos independentes.
Bayer, que adquiriu a Monsanto, disse que a participação da empresa já era reconhecida nas notas de rodapé do estudo e que a maioria dos estudos sobre glifosato não envolve a Monsanto. O órgão regulador americano mantém estudo atualizado previsto para 2026.
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