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Cientistas revelam alterações genéticas que explicam a caminhada bípeda

Estudo na Nature aponta dois passos no desenvolvimento embrionário do ílio humano, com comparação entre 18 espécies, ligando pelve ao bipedismo e à evolução cerebral

(rossipaolo/Getty Images)
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  • Estudo publicado na Nature aponta dois passos-chave no desenvolvimento embrionário do ílio, com alterações gênicas ativas em momentos diferentes.
  • Os pesquisadores criaram um modelo tridimensional do ílio humano na fase embrionária e o compararam com ratos e com dezoito espécies de primatas.
  • O resultado mostra que o ílio de ratos e de primatas se desenvolve de maneiras parecidas, envolvendo genes que se ligam e se desligam em células próximas ao osso e ao sacro.
  • Uma possível vantagem evolutiva seria a capacidade de corridas de longa distância, já que humanos se destacam nessa duração, em parte influenciada pela dieta que aumentou calorias disponíveis e o crescimento cerebral.
  • Entre seis e quatro milhões de anos atrás ocorreu a primeira mudança na pelve para sustentar a caminhada bípede; aproximadamente dois milhões de anos atrás o cérebro humano começou a crescer, influenciando o parto e levando à pelve mais abaulada.

Em estudo publicado pela revista Nature, pesquisadores descrevem dois passos-chave no desenvolvimento embrionário do ílio humano. As mudanças envolvem genes antigos ativados em tempos distintos durante a formação do osso. O trabalho também apresenta um modelo tridimensional do ílio em embriões humanos, com comparação a ratos e a 18 espécies.

Gayani Senevirathne, co-autora, analisou tecido fetal humano para mapear células formadoras do ílio e os genes que se ligam e desligam na formação do osso. A partir disso, gerou modelos de desenvolvimento embrionário do ílio em diferentes espécies.

O estudo comparou o desenvolvimento do ílio humano com o de ratos, chimpanzés, gibões e outras espécies. Em ratos e primatas, as hastes cartilaginosas crescem paralelamente à coluna até se fundirem, formando o osso da pelve.

A partir da análise de 18 espécies, os cientistas concluíram que o desenvolvimento do ílio humano guarda semelhanças com ratos e primatas, mas com variações de tempo e de resposta a sinais celulares locais. Esse detalhamento ajuda a entender a evolução.

Segundo as pesquisas, o conjunto de genes envolvido no processo reage a moléculas liberadas por células vizinhas ao osso e também se relaciona com o sacro. As interações genéticas mostraram-se complexas, segundo Kimberly Cooper, geneticista da Universidade da Califórnia.

A evolução aponta que o segundo grande ajuste da pelve ocorreu com o aumento do cérebro humano há cerca de 2 milhões de anos, possibilitando maior capacidade de raciocínio e calorias advindas do cozimento. A mudança ajudou no parto.

Com o cérebro maior, o crânio passou a ocupar mais espaço na pelve. A seleção natural favoreceu ossos com pelve mais abaulada, facilitando o parto, ao mesmo tempo em que o ílio se adaptou para sustentar esses ajustes.

A pesquisa sugere que as alterações pélvicas foram cruciais para a locomação bípedeira estável e, ao mesmo tempo, criaram um leito para órgãos e para o feto durante a gravidez. A contribuição do cozimento fica ligada ao aumento de calorias disponíveis.

O estudo, que revisita a relação entre biologia evolutiva, parto e capacidade cerebral, amplia o entendimento sobre por que os humanos caminham erguidos e como a pelve evoluiu para sustentar esse modo de locomoção.

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