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Covid-19 em 2020: ano do oceano silencioso

Lockdown de 2020 reduziu o ruído subaquático; na NZ, tráfego caiu a um terço em 12h, ampliando o alcance das chamadas de peixes e golfinhos em até 65%

AIMS/ Gemma Molinaro
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  • Em 2020, os lockdowns globais reduziram drasticamente o tráfego marítimo e a poluição sonora do oceano, permitindo ouvir os sons dos peixes.
  • Na Nova Zelândia, o tráfego de barcos no Hauraki Gulf caiu a aproximadamente um terço em 12 horas, aumentando em até 65% o alcance de chamadas de peixes e golfinhos.
  • Hidrofonos (microfones subaquáticos) mostraram que animais marinhos produzem sons para comunicação, alimentação e reprodução, revelando um oceano não silencioso desde o início do século XX.
  • Em 2023, foi criado o World Ocean Passive Acoustics Monitoring Day (WOPAM) para monitorar paisagens sonoras subaquáticas ao redor do mundo.
  • Pesquisadores avaliaram padrões de som antes, durante e após o lockdown usando 200 hidrophones, contribuindo para entender os impactos do ruído humano na vida marinha.

Durante a pandemia de Covid-19, as restrições globais de transporte reduziram drasticamente o ruído subaquático. O silêncio forçou a mitigar sons humanos, revelando um cenário sonoro antes oculto.

Estudos indicam que o oceano não é silencioso por natureza; hidrophones mostraram que espécies marinhas emitem uma variedade de sons desde o início do século XX. A redução do tráfego ajudou a entender impactos da poluição sonora.

Redução histórica de ruído no oceano

Em 2020, NZ registrou queda expressiva no tráfego marítimo e no ruído subaquático. Em 12 horas, o nível caiu para cerca de um terço do usual, ampliando em até 65% a distância de comunicação de peixes e Delfim.

Paralelamente, a comunidade científica observa que a diminuição permitiu ouvir melhor chamadas de fauna marinha, como parte de um experimento natural mundial que avaliou impactos do barulho na comunicação e no comportamento animal.

Origem e relevância do projeto IQOE

Especialistas ressaltam que o experimento global envolveu 200 hidrophones distribuídos nos oceanos. A ideia central é entender como reduzir sons pode favorecer reprodução, alimentação e cooperação entre espécies.

Peter Tyak, da Universidade de St Andrews, integrou a IQOE, programa internacional de pesquisa. O foco é estudar cenários onde menos barulho não resulta apenas em silêncio, mas em facilidades de interação entre organismos.

Dia Mundial da Monitorização Passiva do Oceano

Em 2023, nasceu o World Ocean Passive Acoustics Monitoring Day (WOPAM). A iniciativa incentiva a coleta e divulgação de sonogramas submarinos, cobrindo desde canais de Londres até lagos da França. O objetivo é ampliar a participação global.

Miles Parsons, da Australian Institute of Marine Science, destaca que o som é a principal forma de comunicação de muitas espécies. A redução de ruído abre espaço para entender melhor esse ecossistema sonoro.

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