- Foi retratado um estudo de 2000 que afirmava que o glifosato não apresenta riscos à saúde, publicado no periódico Regulatory Toxicology and Pharmacology.
- Investigações de Naomi Oreskes e Alexander Kaurov, somadas a denúncias éticas, revelaram autoria secreta de cientistas da Monsanto e viés na revisão; apenas Gary Williams permanece vivo.
- Documentos internos indicaram que a Monsanto sugeriu que seus cientistas escrevessem artigos sobre a segurança, convidando pesquisadores externos apenas para edições finais e assinatura, sem divulgação adequada.
- Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer classificou o glifosato como provavelmente cancerígeno; desde então, agências reguladoras variaram, mantendo aprovações em muitos lugares, incluindo a Anvisa.
- A Bayer, atual dona da Monsanto, disse que o consenso global é de uso seguro conforme instruções; a retratação ocorreu por “sérias preocupações éticas” sobre autoria e conteúdo da revisão, com apenas o primeiro autor vivo.
O estudo de 2000 que afirmava a segurança do glifosato foi retratado, ou seja, despublicado, após investigações sobre ética e autoria. A revisão apontava que o herbicida é seguro, mas teve autoria secreta de cientistas da Monsanto, sem transparência pública.
A retratação foi publicada pelo periódico Regulatory Toxicology and Pharmacology após análises de Naomi Oreskes e Alexander Kaurov, que identificaram conflitos de interesse e viés na revisão original. Do trio original, apenas Gary Williams permanece vivo.
Contexto e antecedentes
O glifosato é o herbicida mais utilizado no mundo, incluindo o Brasil. Organizações reguladoras variaram em sua avaliação ao longo das décadas, com muitos confirmando o uso seguro dentro de doses aprovadas. Em 2015, a IARC classificou o produto como provavelmente cancerígeno.
O estudo de 2000 foi assinado por Williams, Kroes e Munro, e não trazia experimento novo, apenas compilação de evidências. A divulgação de mensagens internas sugeria que cientistas da Monsanto poderiam ter escrito o artigo, com editores independentes assinando apenas como autória externa.
Detalhes da revelação
Pela primeira vez, evidências mostraram que a Monsanto poderá ter elaborado o texto, convidando pesquisadores externos apenas para edições finais. A publicação foi citada numerosas vezes como referência, apesar da origem conflitante. O caso ganhou new capítulos em 2017, durante um processo nos EUA envolvendo a empresa.
A retratação aponta que o conteúdo original era enviesado, incluindo a incorporação de estudos da própria Monsanto e a exclusão de pesquisas independentes. O único autor vivo, Williams, não se pronunciou sobre o tema até o momento.
Implicações e posição regulatória
O glifosato continua sendo objeto de debate científico e regulatório. Agências ao redor do mundo mantêm avaliações diversas, com a maioria aprovando o uso conforme instruções. A Bayer, atual proprietária da Monsanto, afirmou que os órgãos reguladores concordam com o uso seguro quando seguido o protocolo.
Na prática, a retratação não altera imediatamente a aprovação do glifosato em países onde já é permitido, mas reforça a necessidade de transparência na publicação científica. A comunidade científica acompanha desdobramentos sobre ética, autoria e credibilidade de revisões.
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