- Estudo da Universidade de Cambridge comparou padrões de parentesco em dezenas de mamíferos para medir a monogamia reprodutiva.
- Rato-do-campo da Califórnia lidera com 100% de irmãos completos (casais formados para a vida).
- Em seguida aparecem o cão-selvagem-africano, com 85%, e o sagui-de-cara-branca, com 77,6%.
- O gibão-de-mãos-brancos fica em 63,5% e o lobo-etíope atinge 76,5% de irmãos completos.
- Humanos aparecem na sétima posição na avaliação de monogamia reprodutiva.
O estudo da Universidade de Cambridge avaliou padrões de parentesco entre dezenas de espécies para medir a monogamia reprodutiva. A métrica principal foi a proporção de irmãos completos em relação aos meio-irmãos, usada para entender quão exclusivos são os casais reprodutivos.
Os resultados indicam que o rato-do-campo da Califórnia ocupa a primeira posição, com 100% de irmãos completos. Em seguida aparecem espécies de primatas como gibão-de-mãos-brancas e sagui-de-cara-branca, mostrando variações no grau de monogamia entre mamíferos.
A pesquisa, publicada na Proceedings of the Royal Society: Biological Sciences, foi coordenada pelo antropólogo evolucionista Mark Dyble. Ele destacou que a monogamia humana tende a evoluir a partir de estruturas familiares não monogâmicas, um padrão pouco comum entre mamíferos.
Ranking e interpretações
Entre os primatas, o gibão-de-mãos-brancas chega a 63,5% de irmãos completos, o que o aproxima dos padrões humanos. O sagui-de-cara-branca supera humanos, atingindo 77,6% por ninhadas frequentes e cuidado parental compartilhado.
Entre canídeos, a variação é maior: o lobo-cinzento tem 46,2% e a raposa-vermelha, 45,2%. Espécies africanas apresentam índices ainda superiores, como o lobo-etíope, com 76,5%, e o cão-selvagem-africano, em segundo lugar geral, com 85%.
No topo está o rato-do-campo da Califórnia, com taxa de 100%, refletindo casais formados para a vida toda na maioria dos casos. Ao lado oposto, registra-se a ovelha Soay, da Escócia, com apenas 0,6%.
Observações e limitações
O estudo ressalta que a análise foca na monogamia reprodutiva, não no comportamento sexual. Em humanos, separações entre sexo e fertilidade ocorrem por fatores culturais e contraceptivos, o que influencia a comparação direta entre espécies.
Dyble reforçou que estruturas sociais influenciam os resultados, já que a maioria dos mamíferos considerados monogâmicos vive em núcleos familiares restritos. Em humanos, grupos estáveis costumam abrigar várias maternidades ao mesmo tempo.
As informações vêm de uma amostra que inclui dezenas de espécies, com ênfase em relações reprodutivas ao longo do tempo. A metodologia compara a presença de irmãos completos para inferir padrões de acasalamento e formação de pares.
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