- Em Barnham, no leste da Inglaterra, arqueólogos encontraram evidência de fogo produzido deliberadamente por neandertais primitivos há 400 mil anos, com lareiras repetidas, calor acima de 700 °C e artefatos queimados.
- A pirita de ferro, usada como isqueiro ao riscar contra sílex, não ocorre naturalmente no local, indicando objetivo claro de acender fogo.
- Os vestígios surgem de camadas de argila aquecidas repetidamente, sílex rachado pelo calor e fragmentos de pirita, associados a uma área doméstica com uso recorrente.
- A descoberta sugere capacidades cognitivas e sociais dos neandertais primitivos e mostra que a produção de fogo antecede em cerca de trezentos e cinquenta mil anos o marco para Homo sapiens na região.
- O estudo, publicado na revista Nature, amplia perguntas sobre como essa técnica se espalhou entre grupos e como era o ensino entre comunidades pré-históricas.
Em Barnham, no leste da Inglaterra, arqueólogos apontam que neandertais primitivos produziram fogo deliberadamente há 400 mil anos. O achado sugere lareiras repetidas, associadas a artefatos queimados, em um espaço doméstico dentro de uma pedreira antiga. A descoberta antecipa em 350 mil anos a origem conhecida do fogo humano.
Ao longo de quatro anos de escavação, pesquisadores do Museu Britânico e parceiros analisaram camadas de argila. Dentre os vestígios estavam sedimentos aquecidos, ferramentas de sílex e fragmentos de pirita de ferro, usadas como isqueiro na Idade da Pedra. Pirita não ocorre naturalmente no local, indicando transporte intencional.
O conjunto de evidências aponta para produção de fogo sob demanda, diferente de incêndios naturais. Testes geoquímicos indicaram temperaturas acima de 700 °C, com repetição no mesmo ponto, além de sinais de aquecimento intenso em boa parte dos artefatos. Tais indícios sugerem domínio técnico e social entre os neandertais primitivos.
Contexto dos vestígios
A equipe Pathways to Ancient Britain acompanha o sítio desde 2013, em uma pedreira desativada com camadas sedimentares que registram ocupações ao longo de centenas de milhares de anos. A presença de pirita associada a uma lareira reforça a hipótese de uso doméstico repetido.
O estudo compara o fogo natural, lembrando que a humanidade conhece a produção controlada desde há muito tempo. A tecnologia exige localizar pirita, manipulá-la com sílex e preparar material inflamável, capacidades cognitivas e de transmissão cultural.
Implicações da descoberta
Os pesquisadores ressaltam que Barnham oferece uma visão sobre a sociabilidade dos neandertais primitivos, além de indicar uma tradição de fogo que precede o Homo sapiens na região. A presença de crânio ancestral na Grã-Bretanha apoia a ideia de neandertais primitivos habitando a área 400 mil anos atrás.
A descoberta abre perguntas sobre como a técnica se espalhou e quais plantas entravam como isca. Ainda não há consenso sobre se diferentes grupos desenvolveram a prática de forma independente ou pela circulação de conhecimento entre populações.
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