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Primeiros geógrafos da USP formam grupo diverso e contraditório

Pesquisa revela diversidade de origens e disputas entre os primeiros geógrafos da USP, destacado pela desigualdade de gênero e o surgimento da geografia marxista

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  • A USP formou o curso de geografia em 1934, inicialmente no subsolo da Faculdade de Medicina e, depois, em trajetória itinerante até o Butantã.
  • Uma pesquisa da FFClH reconstrói 15 trajetórias de docentes, mostrando propostas distintas e conflitos na forma de entender e ensinar geografia.
  • O curso foi criado com influência da Escola Francesa, mas disputas políticas e origens sociais diferentes geraram atritos e a mudança de prédio em 1938.
  • A desigualdade de gênero ficou evidente: em 25 anos de publicações analisadas, apenas 10% foram assinadas por mulheres; a produção feminina cresce a partir da década de setenta.
  • A partir dos anos sessenta, surgiu a geografia marxista/crítica, gerando a Geografia Crítica; hoje o departamento tem cerca de 50 profissionais e quase 1.700 alunos.

A pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP revela que a primeira geração de geógrafos da universidade não formou um grupo homogêneo. O estudo, que revisita o surgimento do curso criado em 1934, mostra diversidade de origens, visões e disputas políticas.

O trabalho de Rogério Silva Bezerra analisa 15 trajetórias de docentes envolvidos na formação da geografia na USP. Segundo ele, propostas distintas conviviam no mesmo espaço, contestando a ideia de uma geografia única, inspirada pela Escola Francesa.

O curso nasceu sob forte influência francesa, no subsolo da Faculdade de Medicina, na região da Avenida Doutor Arnaldo. Com atritos institucionais, a FFCL deixou o prédio em 1938 e o itinerário do curso seguiu diversas unidades, chegando ao Butantã nos anos 1970.

Desigualdade de gênero

Entre 25 anos de produção acadêmica avaliados, apenas 10% dos trabalhos tinham assinatura feminina. A participação das mulheres cresce na década de 1970, e, em 1986, empata emVolume com o masculino, refletindo mudanças estruturais no campo.

Da geografia tradicional à crítica

A partir dos anos 1960, a USP vivenciou uma divisão entre apoiadores do regime e pesquisadores ligados a debates agrários de esquerda. Nasceu, então, a geografia marxista brasileira, associada à Geografia Crítica, influenciada pela Guerra Fria e pela ditadura.

Hoje, o departamento de geografia da USP conta com cerca de 50 profissionais e quase 1.700 alunos, evidenciando a evolução da disciplina e as disputas sociais que moldaram a universidade brasileira.

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