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Ártico tem ano de calor recorde, cientistas falam em inverno redefinido

Ártico registra calor recorde e maior precipitação em 125 anos, com redução histórica do gelo e impactos para ecossistema, navegação e elevação do nível do mar

This aerial view shows icebergs and ice sheets floating in the water off Nuuk, Greenland, on 07 March 2025. Photograph: Odd Andersen/AFP/Getty Images
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  • De outubro de 2024 a setembro de 2025, as temperaturas do Ártico estiveram entre as mais quentes já registradas, com os últimos dez anos entre os dez mais quentes no conjunto da região.
  • O aquecimento do Ártico ocorre até quatro vezes mais rápido do que a média global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis.
  • A extensão máxima de gelo marinho em 2025 foi a menor já registrada em quarenta e sete anos de monitoramento por satélite.
  • O ano registrou precipitação recorde na região, e a cobertura de neve em junho ficou pela metade do que era há seis décadas.
  • A camada de gelo da Groenlândia perdeu 129 bilhões de toneladas em 2025, contribuindo para o aumento do nível do mar e para impactos em ecossistemas e na pesca local.

O Ártico registrou um ano de calor recorde e queda acentuada de gelo marinho, conforme relatório anual. Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, as temperaturas foram as mais altas em 125 anos de registro. Os últimos 10 anos compõem as 10 maiores altas já observadas.

O aquecimento ocorre quatro vezes mais rápido do que a média global e está alterando o papel regulador do Ártico no clima mundial. O menor alcance de gelo marinho já registrado em 2025, segundo o NOAA, marca a continuidade de uma tendência de redução de gelo.

O volume de gelo da Groenlândia também recuou significativamente: cerca de 129 bilhões de toneladas foram perdidas em 2025, contribuindo para o aumento do nível do mar. A cobertura de neve expandida ficou muito abaixo da média histórica.

Mudanças no regime de precipitação e no gelo

O ano registrou precipitação sem precedentes na região ártica, com impactos na estrutura de acumulação de neve. A presença de chuva no inverno é cada vez mais comum, alterando o formato das estações frias.

Especialistas destacam que a temperatura elevada persiste em várias temporadas, não apenas no verão, alterando o crescimento anual do gelo. A extensão de gelo marinho tem ficado mais baixa em meses chaves, sugerindo novo padrão para os próximos anos.

Consequências para ecossistemas e comunidades

A combinação de calor, chuva e redução de gelo afeta a forragem de animais que dependem da neve para encontrar alimento. Condições mais escorregadias também representam riscos para deslocamentos humanos na região.

A retração de gelo abre mares antes isolados, promovendo aquecimento adicional da água e impactos indiretos nas redes de pesca locais. Pequenas comunidades do Ártico relatam mudanças em padrões de abastecimento e economia.

Perspectivas para o futuro

Observadores indicam que a tendência de redução do gelo marinho pode se intensificar no próximo ciclo anual, com possibilidade de novo máximo de gelo mais baixo em 2026. Pesquisadores alertam para a necessidade de adaptação de infraestrutura costeira.

O estudo ressalta que o Ártico atua como termostato climático global, de modo que alterações nessa região tendem a reverberar em outros sistemas do planeta. A comunidade científica continua monitorando variações sazonais e seus impactos.

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