- O maior datacenter proposto do Reino Unido, em Cambois, Northumberland, recebeu autorização para a primeira fase de construção, com a QTS promovendo o sistema de resfriamento “sem água”.
- Estudo aponta que o consumo indireto de água associado ao sites de IA seria muito maior do que estimado pela QTS: 2,3 milhões de litros por ano para as duas primeiras salas, segundo documentos apresentados.
- Aplicando metodologia diferente, o consumo anual pode chegar a 124 milhões de litros, mais de cinquenta vezes a estimativa inicial, segundo análise da Watershed Investigations e do Guardian.
- Com o funcionamento completo de dez galerias, o consumo indireto total poderia alcançar cerca de 621 milhões de litros por ano, o que equivaleria ao uso anual médio de mais de 11 mil pessoas.
- QTS afirma que a energia utilizada é quase neutra em carbono e que não controla a quantidade de água na geração de energia, mas críticos dizem que a pegada hídrica indireta precisa ser divulgada, assim como há preocupações sobre emissões de poluentes durante a geração de energia.
O maior datacenter proposto do Reino Unido, em Cambois, Northumberland, recebe aprovação para a primeira fase de construção. A empresa norte-americana QTS sustenta ter um sistema de refrigeração sem consumo de água, considerado sustentável. Entenda a controvérsia sobre a água indireta envolvida.
Análise recente aponta que o uso de água indireta pode superar em muito as estimativas da empresa. Enquanto a QTS indica 2,3 milhões de litros de água anuais para as duas primeiras salas, a metodologia adotada por pesquisadores sugere 124 milhões de litros por ano apenas para a geração de energia dos servidores de IA.
Ao ampliar para as 10 instalações, o consumo indireto chegaria a cerca de 621 milhões de litros anuais, equivalente ao uso anual de mais de 11 mil moradores. O campus utiliza um sistema de circuito fechado, que recircula a água, mas demanda mais energia para resfriar os equipamentos.
Sustentabilidade e impactos
A QTS afirma que a energia deslocada pela usina é, em grande parte, proveniente de fontes diversas e que não controla a quantidade de água utilizada na geração de energia. Especialistas destacam a necessidade de transparência sobre a pegada hídrica indireta associada à demanda energética.
Especialistas lembram que a logística de energia intensiva para datacenters também pode aumentar a poluição do ar. Em estudos nos EUA, pesquisadores apontam emissões de partículas finas e NOx associadas à geração de energia e ao uso de geradores a diesel para backup.
Geradores e saúde local
Ao concluir as operações, o campus de Cambois deverá dispor de quase 600 geradores a diesel como reserva, com até 58 por sala. Reguladores em outros polos mostram tensões entre confiabilidade e restrições ambientais em situações de falha de rede.
A QTS sustenta que os geradores são usados apenas em emergências e que testes periódicos são de curto período. A empresa afirma ainda que as emissões costumam ficar dentro de limites permitidos e que não controla operações de concorrentes em outros mercados.
Entre na conversa da comunidade