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Joanna Macy, autora e professora que transformou o desespero em conexão e agência

Joanna Macy morreu aos 96; defendia que o desespero é sinal de cuidado e pode impulsionar ação coletiva pelo Work That Reconnects

Joanna Macy. Courtesy of the Macy family
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  • Joanna Macy morreu em quinze de julho de 2025 aos 96 anos, e afirmou que o desespero diante de ameaças ecológicas e nucleares é sinal de cuidado, não fraqueza.
  • Inspirada por budismo, teoria de sistemas e ecologia profunda, Macy mostrou que as pessoas são participantes, não observadoras, de um sistema vivo.
  • Criou o Work That Reconnects, um conjunto de práticas em grupo que nomeiam luto, medo e raiva e os transforma em determinação para agir.
  • Ao migrar o foco da ameaça nuclear para a mudança climática, manteve o destaque na prática da esperança baseada em relacionamentos, sem prometer garantias.
  • Em obras como World as Lover, World as Self e Despair and Personal Power in the Nuclear Age, defendeu que sentir a dor do mundo é sinal de pertencimento e responsabilidade compartilhada.

Joanna Macy, autora e professora, faleceu em 19 de julho de 2025 aos 96 anos. Ela defendeu que o desespero diante de ameaças ecológicas e nucleares não é fraqueza, e sim um sinal de cuidado. Recusar esse sentimento levaria à paralisia, não à proteção do que é precioso.

Macy mostrou que as pessoas são parte de um sistema vivo, não apenas observadoras da crise. Ao aliar budismo, teoria de sistemas e ecologia profunda, ela difundiu a ideia de responsabilidade coletiva e ação dentro de um todo interdependente.

Seu marco foi o que ficou conhecido como o Trabalho que Reconecta, um conjunto de práticas grupais que nomeiam luto, medo e raiva e os transforma em determinação. O foco não era apenas soluções, mas restabelecer conexão e sentido de agência.

À medida que a mudança climática passou a ser a principal ameaça existencial, a prática de Macy permaneceu voltada à atenção. A esperança, para ela, é uma disciplina cultivada nas relações, não uma certeza sobre resultados.

O contexto da sua atuação nasce da época da Guerra Fria, com o bombardeio de ideias que ampliavam o risco de extinção. Em meio a isso, Macy observou um desentulho psíquico: a retirada de conhecimento insuportável. Em vez de somar dados, testou práticas de grupo para nomear temores.

Desta experiência surgiu o Trabalho que Reconecta, aplicado em oficinas por diversos continentes. Não funciona como terapia; a ideia é percorrer os sentimentos, reconhecendo a dor pelo mundo como forma de compaixão. Sua estrutura é simples: gratidão, reconhecimento do sofrimento, mudança de perspectiva e ação.

Ao longo de sua obra, Macy ressaltou que a compreensão ecológica é também ética e emocional. Sentir tristeza pela perda de espécies e pelos ecossistemas não é indulgência, mas evidência de conexão. Para ela, a dor pelo mundo é uma medida de cuidado.

À medida que o clima intensifica os impactos, o foco de Macy se manteve firme na prática de agir sem garantias. Ela descreveu a era atual como um processo de desenlace, sem retórica de inevitabilidade, defendendo uma esperança ativa que requer resiliência.

Nos últimos anos, Macy abriu caminho para a ideia de uma transição para uma sociedade que sustenta a vida, chamada Grande Virada. O tom é aspiracional, mas sua ênfase permanece prática: manter a presença entre pessoas e com o mundo, mesmo diante de dificuldades crescentes.

A atuação de Macy seguiu influente mesmo após a aposentadoria, no meio acadêmico e em oficinas conduzidas por terceiros. As perguntas que orientavam seu trabalho continuam: como viver sem negar, como se manter conectado e como agir com responsabilidade diante da incerteza.

Fonte: texto originalmente publicado na obra que tematiza o papel de Macy na transformação da dor em agência.

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