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Cientistas encontram registros de mudanças climáticas em órgãos de igreja

Notas de afinação de órgãos em igrejas britânicas mostram aquecimento interno ao longo de décadas, com mais falhas de afinação e potencial uso de registros históricos como dados

Fotografia do órgão de tubos sob arco decorativo e vitral no Grande Salão de St Georges Hall, Merseyside, Reino Unido
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  • Estudiosos analisaram 18 cadernos de igrejas no Reino Unido para entender como temperatura e umidade afetam afinações de órgãos de tubos.
  • Verões em espaços urbanos cresceram de 17,2 °C, na década de 1960, para 19,8 °C entre 2020 e 2024.
  • Invernos passaram de 12,8 °C em 1966 para 18,6 °C em 2024.
  • Igrejas mais quentes apresentaram mais falhas de afinação nos órgãos.
  • O estudo, publicado em Buildings & Cities, sugere que registros históricos de temperatura e umidade podem ajudar a entender o aquecimento de espaços internos, apesar de limitações da amostra e dos dados.

A ciência encontra registros antigos para entender mudanças climáticas em espaços internos. Estudo conduzido por pesquisadores da Nottingham Trent University analisou 18 cadernos de igrejas no Reino Unido para acompanhar temperaturas e umidade registradas pelos afinadores de órgãos de tubos. Os dados mostram aquecimento gradual nesses ambientes ao longo de décadas.

Entre 1960 e 2020-2024, verões em igrejas urbanas passaram de 17,2 °C para 19,8 °C, um aumento de 2,6 °C. Nos invernos, a elevação foi de 12,8 °C para 18,6 °C entre 1966 e 2024. Os resultados indicam relação entre espaços mais quentes e maior ocorrência de falhas de afinação nos instrumentos.

Autores destacam que o estudo usa registros históricos de temperatura e umidade como fonte de dados inédita para entender aquecimento de ambientes internos. Contudo, reconhecem vieses: amostra limitada, cobertura regional restrita e confiabilidade parcial dos cadernos.

Mudanças nos ambientes e impactos na afinação

Os cadernos indicam que instrumentistas registravam notas como igreja muito quente ou afinação da caixa piorou por clima, sugerindo relação entre condições ambientais e desempenho dos órgãos de tubos. A madeira e os tubos respondem a variações de temperatura e umidade, prejudicando a afinação.

O estudo compara ainda faixas de conforto histórico com as atuais. Em 1889, recomendava-se 15,5 °C a 18,3 °C; hoje, a faixa passa a 18 °C a 21 °C. Em igrejas, porém, o intervalo desejado para preservação histórica varia entre 10 °C e 20 °C, com umidade relativa abaixo de 65%.

Publicação e limitações

A pesquisa foi publicada no periódico Buildings & Cities. Os pesquisadores destacam que a amostra pequena e regional exige cautela na generalização dos resultados. Ainda assim, veicula a possibilidade de usar registros de temperatura e umidade como dados auxiliares para entender aquecimento de espaços internos.

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