- Na década de 1910, universidades dos EUA passaram a tirar fotos nuas de calouros para medir o corpo e coletar dados de saúde, postura e hábitos.
- As instituições mais prestigiadas, como Harvard, Yale e Boston, usavam o recurso para observar a curvatura das costas e detectar problemas como escoliose, às vezes com mulheres cobertas apenas com lenços.
- O objetivo central era eugenia: avaliar virtudes físicas como indicador de caráter, prática que ganhou apoio institucional e chegou a envolver figuras políticas e literárias da época.
- Na década de quarenta, o psicólogo William Herbert Sheldon usou esse material para desenvolver os somatótipos (endómano, mesomórfico e ectomórfico) e publicou o Atlas of Men; o projeto enfrentou críticas éticas e científicas ao longo do tempo.
- O material foi aos poucos destruído após a controvérsia, com o Smithsonian ficando como custodiador por algum tempo; hoje sabe-se que a metodologia tinha falhas, vieses e pouca relação entre características físicas e personalidade.
A prática de fotografar calouros nus ganhou notoriedade nas universidades americanas na década de 1910. Alunos eram chamados ao ginásio, despidos e submetidos a medições corporais completas, além de perguntas sobre hábitos de saúde. Ações passaram a incluir dispositivos para observar a curvatura das costas.
As instituições mais influentes, como Harvard, Yale e Boston, adotaram o procedimento, que variava entre o corpo inteiro à possibilidade de cobrir o rosto para mulheres. Pinos metálicos foram usados para registrar a postura, sob o objetivo de captar a coluna e detectar problemas como escoliose.
Vários anos depois, relatos de ex-alunos revelaram o ambiente institucional e o caráter institucionalizado do ritual. A prática se mantinha em universidades de referência, mesmo quando surgiam questionamentos éticos sobre consentimento e dignidade.
Os motivos e o enquadramento científico
Antes das fotos, alunos já passavam por medições, pesagens e questionários desde 1880, com foco na postura. A postura era vista como indicador de virtude e qualidade social, em um contexto marcado pela influência da eugenia nas universidades americanas.
Pesquisas da época promoviam uma linha de pensamento que associava características físicas a traços de personalidade. A prática de coletar dados biométricos foi apoiada por institutos públicos de registro, alimentando uma visão de hierarquias e “linhagens” ideais.
A avaliação frequente de postura resultava em notas que condicionavam exercícios corretivos e novas sessões de fotografia. Estudantes repetiam o ritual ao longo da vida acadêmica, reforçando a ideia de um processo contínuo de avaliação física.
O papel de Sheldon e o desfecho
Na década de 1940, o psicólogo William Herbert SheldonPAS passou a usar as fotos para pesquisas de somatotipia, associando tipos físicos a traços de personalidade. O trabalho ficou conhecido por defender classificações como endomorfia, mesomorfia e ectomorfia.
A relação entre ciência e pseudociência ficou evidente após a tentativa de ampliar a pesquisa a mulheres. Em Seattle, no início dos anos 1950, a denúncia de uma aluna levou a ações legais e à queima de fotografias de mulheres. O episódio gerou intenso debate público.
Nos anos seguintes, as universidades abandonaram gradualmente as fotos de postura. O acervo de Sheldon ficou sob controvérsia até sua morte, em 1977, quando parte das imagens já havia sido destruída. O Smithsonian recebeu o material remanescente para uso acadêmico restrito.
Hoje, a pesquisa de Sheldon é vista como inadequada, com falhas metodológicas e ausência de consideração de fatores ambientais e culturais. Os somatotipos perduram apenas como referência técnica, sem percepção de traços de personalidade.
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