- O calor eleva sudorese, dilatação dos vasos e fluxo sanguíneo, potencializando efeitos colaterais de medicamentos, especialmente diuréticos, betabloqueadores e psicofármacos.
- Estudos apontam que, no Brasil, o aquecimento pode reduzir a regulação térmica e aumentar risco de quedas, desidratação e internações, com potencial de chegar a mais de 2% dos óbitos até 2054.
- Na Europa, as mortes relacionadas ao calor variam entre 30 mil e 70 mil por ano, conforme a intensidade das ondas de calor; a Alemanha registrou entre 2,8 mil e 3 mil óbitos em 2024.
- A hidratação adequada é crucial em dias quentes, já que a desidratação pode intensificar os efeitos dos remédios e aumentar o risco de distúrbios de equilíbrio, tontura e confusão.
- Especialistas defendem maior conscientização de médicos e pacientes e a possível revisão de diretrizes e doses em contextos de calor extremo, com ajustes individualizados conforme o quadro de cada paciente.
O aquecimento global pode intensificar os efeitos colaterais de remédios usados por pessoas com doenças crônicas, elevando riscos de quedas, desidratação e complicações cardíacas. Estudo aponta que, em dias de calor extremo, a necessidade de ajuste de doses deve ser considerada por médicos e pacientes.
Especialistas destacam que a temperatura externa altera a regulação térmica do corpo. A sudorese aumenta, os vasos se dilatam e o fluxo sanguíneo para a pele cresce, o que pode afetar a farmacocinética de muitos fármacos, como diuréticos, betabloqueadores e psicofármacos.
A desidratação causada pelo calor potencializa o efeito dos medicamentos e eleva a probabilidade de efeitos adversos. Diuréticos, laxantes, antidepressivos, anti-histamínicos e analgésicos comuns também entram no grupo de maior sensibilidade durante ondas de calor.
Vulneráveis ao calor
Idosos, pacientes com doenças crônicas, bebês e trabalhadores expostos ao calor enfrentam maior risco. A desidratação compromete a função renal e pode levar a confusão mental e quedas, aumentando internações em pronto-socorro. Moradores de rua também aparecem entre os mais vulneráveis.
A OMS estima cerca de 490 mil mortes anuais atribuídas ao calor extremo, com tendência de alta. Em países com clima variável, as ondas de calor elevam internações e complicações associadas aos remédios usados nesses grupos.
Perspectivas e adaptação de diretrizes
Especialistas defendem maior conscientização entre médicos e pacientes para ajustar doses conforme o calor. Revelam que mudanças climáticas podem exigir revisões regulatórias e decisões médicas mais individualizadas, com acompanhamento clínico rigoroso.
No Brasil, projeção de que o aquecimento pode superar 2% do total de óbitos até 2054, com base em análise de 326 cidades. Na Europa, estimativas variam entre 30 mil e 70 mil mortes por calor, dependendo da intensidade das ondas de calor; a Alemanha registrou entre 2,8 mil e 3 mil mortes em 2024.
Esses cenários ressaltam a necessidade de protocolos clínicos que reflitam variações climáticas, aliado a campanhas de orientação sobre hidratação adequada e monitoramento de sinais de descompasso entre fármacos e calor extremo.
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