- Estudo clínico randomizado avaliou o impacto de adoçantes de baixa/caloria (S&SEs) em adultos com sobrepeso ou obesidade, em dieta com menos açúcar, ao longo de um ano, em quatro centros (Atenas, Copenhague, Maastricht e Pamplona).
- Na análise por intenção de tratar, adultos perderam entre 6,4 e 6,5 kg no total; o grupo S&SEs perdeu, em média, 1,6 kg a mais do que o grupo sem adoçantes, com diferenças semelhantes entre os que completaram o estudo.
- A microbiota intestinal não teve alteração na quantidade de espécies, mas houve mudanças na composição, com 46 táxons mostrando tendências distintas entre os grupos.
- Desfechos secundários indicaram maior redução de IMC, colesterol total, LDL e HDL no grupo S&SEs, porém, ao final de doze meses, apenas a circunferência do quadril permaneceu significativamente menor.
- O estudo teve limitações, como alta taxa de abandono, potenciais vieses e conflitos de interesse financiando SWEET; os autores destacam que adoçantes parecem seguros dentro de limites da JECFA e não substituem dieta saudável, devendo ser usados com moderação.
Adoçantes artificiais não são heróis nem vilões, aponta estudo do SWEET, projeto financiado pela União Europeia. A pesquisa avaliou o impacto de adoçantes e substitutos de açúcar na perda de peso, na saúde cardiometabólica e na microbiota, em adultos com excesso de peso.
O estudo foi conduzido em quatro centros internacionais — Atenas, Copenhague, Maastricht e Pamplona — ao longo de um ano. Participaram 341 adultos e 38 crianças, com análise de microbiota em 137 adultos que completaram o acompanhamento.
O objetivo foi verificar o efeito prolongado da combinação de S&SEs (edulcorantes sem ou com baixo valor calórico) em dieta saudável, com redução de açúcar. O grupo intervenção recebeu S&SEs, enquanto o grupo controle manteve dieta reduzida de açúcar sem adoçantes.
Na avaliação por intenção de tratar, adultos perderam cerca de 6,4 a 6,5 kg no ano, com o grupo S&SE pesando 1,6 kg a mais que o grupo açúcar. Entre os que concluíram o estudo, a diferença foi de 1,7 kg e não atingiu significância estatística.
Análises por protocolo mostraram que maior adesão elevou a diferença de peso a favor dos S&SEs, mas apenas no nível mais alto de aderência a essa intervenção houve significância. O efeito sobre a microbiota foi limitado na quantidade total de espécies, mas houve mudanças em 46 táxons.
Desfechos secundários indicaram maior redução de IMC, colesterol total, LDL e HDL no grupo S&SEs, porém, ao final de 12 meses, apenas a circunferência do quadril permaneceu menor. Não houve alterações em marcadores de risco para diabetes tipo 2 ou doenças cardiovasculares.
Eventos adversos graves somaram nove ocorrências entre os grupos, com maior frequência de eventos não graves no grupo S&SEs, principalmente gastrointestinais. Crianças apresentaram redução de IMC sem diferença entre grupos.
Os autores ressaltam que ambos grupos mantiveram boa perda de peso ao longo do ano, com vantagem tímida do grupo S&SEs, associada a alterações na microbiota. A comparação com revisões da OMS aponta ganho maior neste estudo, possivelmente pela presença de um controle dietético mais rígido.
Limitações destacadas incluem alta taxa de abandono, cerca de 30%, e possível subnotificação energética. Conflitos de interesse foram declarados por quatro dos 22 autores, com financiamento de empresas como Nestlé, Unilever e American Beverage Association.
Conclui-se que adoçantes em contextos de alimentação equilibrada parecem seguros dentro de limites regulatórios e não prejudicam a microbiota. O consumo isolado de adoçantes não produz perda de peso; a adesão a dietas pode melhorar com o uso moderado de S&SEs.
Os autores destacam cautela na interpretação das limitações, sobretudo por fatores como o efeito Hawthorne e variação de consumo entre avaliações. O SWEET reforça a necessidade de mais estudos com desenho robusto para confirmar efeitos de longo prazo.
A pesquisa reforça a ideia de que adoçantes podem auxiliar a manter a adesão a dietas, sem substituir hábitos saudáveis. O texto ressalta a moderação e a leitura crítica de rótulos, lembrando que produtos diet podem conter outros componentes menos saudáveis quando consumidos em excesso.
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