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Queima de fogos pode desencadear crise sensorial em autistas

Queima de fogos pode desencadear crise sensorial em autistas, gerando ansiedade, insônia e agressividade, segundo especialistas

Queima de fogos na praia de Copacabana, Réveillon Rio 2019
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  • A queima de fogos na virada do ano pode desencadear crise sensorial em pessoas com Transtorno do Espectro Autista, gerando ansiedade, vontade de fugir e, em alguns casos, agressividade.
  • Menores com TEA podem ter sensibilização prolongada ao barulho, levando a insônia nos dias seguintes.
  • O cérebro de quem tem TEA pode interpretar o barulho alto como negativo, criando desconforto e dificultando a compreensão de que é uma celebração.
  • Alternativas existentes incluem fogos sem estampido, shows de luzes e apresentações com drones, com leis locais para reduzir o ruído.
  • A sociedade é incentivada a adotar medidas de inclusão e empatia, adaptando tradições para permitir a participação de crianças, idosos com demência e demais familiares, sem prejudicar quem sofre com o barulho.

O estouro de fogos de artifício na virada do ano pode desencadear crises sensoriais em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Especialistas ouvidos apontam que o efeito vai além da hora da virada, com impactos que podem durar dias.

O neuropediatra Anderson Nitsche, da PUCPR, afirma que a sensibilidade auditiva aumenta durante os episódios, gerando insônia e sofrimento prolongado. O ruído intenso pode provocar ansiedade e desejo de fuga.

A neurologista Vanessa Rizelio, diretora clínica do Hospital INC, explica que quem tem TEA muitas vezes interpreta o barulho como algo negativo, não como celebração, levando a reações como irritabilidade e desassossego.

A neuropediatra Solange Vianna Dultra, da ANERJ, lembra que o coração pode reagir com adrenalina e pressão arterial elevada. Em alguns casos, o ambiente escolar se torna desorganizado por causa do barulho.

Alternativas

Algumas cidades já reduzem o uso de fogos barulhentos, adotando opções como fogos silenciosos, shows de luzes e apresentações com drones, mantendo o simbolismo da celebração sem sobrecarregar o público.

A psicóloga Ana Maria Nascimento defende que essas alternativas preservam o caráter coletivo da festa e ampliam o direito à participação, sem exigir sacrifícios desnecessários de quem sofre com o som.

Solange Vianna ressalta que o sofrimento não afeta apenas crianças com TEA, mas toda a família. Fogos silenciosos não possuem problema de luminosidade, desde que a família mantenha a criança longe de janelas.

O professor Anderson Nitsche destaca a importância de empatia e adaptação cultural. A inclusão passa pelo esforço coletivo de tornar tradições menos prejudiciais a quem tem sensibilidade aumentada.

Nitsche aponta que a prevalência mundial do autismo fica em torno de 3% da população. O foco está em entender que a liberdade de uns pode impactar negativamente outros, exigindo mudanças de comportamento sociais.

Vanessa Rizelio critica a fiscalização de leis de proibição de fogos em várias cidades, especialmente em Curitiba, onde vigora há mais de cinco anos. Ela reforça a necessidade de medidas mais eficazes para reduzir o impacto.

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