- Maior estudo já feito sobre sequelas do zika, com dados de doze centros, reunindo informações de 843 crianças brasileiras com microcefalia nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste.
- O trabalho definiu a morfologia da microcefalia associada ao zika, destacando que é uma manifestação diferente de microcefalias por outras causas.
- Entre as principais formas de sequelas, destacam-se: microcefalia ao nascer em 71,3% (63,9% graves), microcefalia pós-natal em 20,4%, prematuridade entre 10% e 20%, baixo peso ao nascer (média de 33,2%), e malformações congênitas como epicanto (40,1%) e occipital proeminente (39,2%).
- Neuroimagem mostrou calcificações cerebrais em 81,7%, ventriculomegalia em 76,8% e atrofia cortical em cerca de 50%; alterações neurológicas comuns incluem déficit de atenção social (cerca de 50%) e epilepsia (média de 58,3%).
- Cerca de 30% das crianças do estudo já faleceram; as que permanecem vivas, com idade entre 8 e 10 anos, enfrentam dificuldades de inclusão escolar e necessidade de suporte multidisciplinar.
O maior estudo mundial sobre os efeitos do Zika na infância foi publicado ao final de 2025 por pesquisadores brasileiros de 12 centros de pesquisa. O consórcio ZBC-Consórcio reuniu dados de 843 crianças com microcefalia nascidas entre 2015 e 2018, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. A pesquisa descreve o espectro da microcefalia associada ao Zika e padroniza informações para oferecer um quadro mais objetivo.
Os dados foram coletados de bancos originais de diferentes estudos no Brasil, com foco na caracterização morfológica da microcefalia provocada pela infecção durante a gestação. O estudo destacou a importância de ampliar a base de casos para compreender a gravidade e a variedade de manifestações da Síndrome Congênita do Zika (SCZ).
A pesquisa foi publicada no dia 29 de dezembro de 2025, no periódico PLOS Global Public Health. A análise permitiu observar que o Zika gera um perfil específico de microcefalia, distinto de outras causas, com variações de gravidade entre as crianças.
Principais resultados apontam que 71,3% dos casos apresentaram microcefalia ao nascer, sendo 63,9% graves; 20,4% tiveram microcefalia pós-natal. A prematuridade apareceu entre 10% e 20% dos casos, e o baixo peso ao nascer teve média de 33,2%. Entre malformações, destacaram-se epicanto (40,1%), occipital proeminente (39,2%) e excesso de pele no pescoço (26,7%).
Entre as alterações neurológicas, houve déficit de atenção social em cerca de metade das crianças, epilepsia entre 30% e 80% (média de 58,3%), e reflexos primitivos persistentes em 63,1%. Alterações oftalmológicas surgiram em até 67,1% dos casos, e alterações auditivas, menos frequentes, também foram observadas.
As neuroimagens mostraram calcificações cerebrais em 81,7%, ventriculomegalia em 76,8% e atrofia cortical em aproximadamente 50% dos casos. Aproximadamente 30% das 853 crianças do estudo faleceram. Entre as que sobreviveram, as idades variam entre 8 e 10 anos e muitas enfrentam dificuldades de inclusão escolar.
Não houve tratamento específico para o Zika; a recomendação é evitar áreas com maior circulação do mosquito Aedes aegypti durante epidemias, usar repelentes e roupas compridas, principalmente em ambientes sem ar condicionado. A estimulação precoce é indicada desde o nascimento para melhorar o prognóstico.
Cuidados permanentes são necessários, com abordagem multidisciplinar em saúde. O acesso a serviços do SUS é um desafio para muitas famílias, o que aumenta a carga social. Também é destacada a urgência de desenvolver vacinas para mulheres em idade fértil para reduzir a transmissão.
Após a publicação, o grupo continuará acompanhando as crianças para entender impactos na vida escolar. O estudo ressalta que, mesmo entre crianças sem microcefalia, a exposição materna ao Zika pode implicar em distúrbios de desenvolvimento que exigem monitoramento e estímulos precoces.
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